sexta-feira, 29 de julho de 2011

O fundamento dos Apóstolos

A “apostolicidade” da Igreja é a propriedade que conserva através dos tempos a identidade dos ensinamentos de Jesus recebido pelos apóstolos.
Ao rezarmos o símbolo niceno-constantinopolitano (325-381), encontramos no seu artigo sobre a Igreja os termos: Una, Santa, Católica e Apostólica. Esses termos designam as propriedades essenciais da Igreja, que fundamentam a realidade da sua natureza e missão. Estas propriedades dão a conhecer a essência da Igreja e revelam a relação íntima que mantêm com o mistério de Cristo, que se reflete na Igreja pelo fato de ser ela sua esposa (cf.Ef 5).
De forma particular, neste artigo iremos nos deter à “apostolicidade” da Igreja. A “apostolicidade” é a propriedade que conserva através dos tempos a identidade dos ensinamentos de Jesus recebido pelos apóstolos. O Catecismo da Igreja Católica (857) irá nos dizer que a Igreja é apostólica por ser fundada sobre os apóstolos, e isto em um tríplice sentido:
– Foi e continua a ser construída sobre o “alicerce dos apóstolos” (Ef 2,20), testemunhas escolhidas e enviadas em missão pelo próprio Cristo;
– Guarda e transmite, com a ajuda do Espírito Santo que nela habita, o ensinamento, o depósito precioso, as salutares palavras ouvidas da boca dos apóstolos;
- Continua a ser ensinada, santificada e dirigida pelos apóstolos até a volta de Cristo, graças àqueles que lhes sucedem na missão pastoral: o colégio dos bispos, “assistido pelos presbíteros em união com o sucessor de Pedro, pastor supremo da Igreja”.
A Missão dos Doze
Jesus, o Verbo encarnado, recebeu do Pai a missão de reconciliar a humanidade consigo, e para isso é que Ele foi enviado. Assim, Jesus é, por excelência, o “Apóstolo” do Pai. Ao chamar aqueles que Ele quis para estarem com Ele (Mc 3,13-14), Jesus faz participar da sua missão o grupo dos doze e os envia aos confins da terra como “apóstolos” (termo grego que significa “enviados”).
Os doze são enviados sob o mandato missionário do Senhor, que os acompanha com uma graça particular para o bom desempenho da missão apostólica. Para anunciar e transmitir a Palavra de Deus, o próprio Espírito Santo, por meio do chamado de Jesus, faz desses simples homens “servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Deus” (1Cor 4,1), tornando-os qualificados para proclamar a Boa-nova, sobretudo pelo fato de serem testemunhas oculares da Ressurreição do Senhor.
A condição de serem testemunhas oculares faz do ensinamento dos doze e, por conseguinte, da propriedade “apostólica” um termo também utilizado em sentido moral, conforme os apóstolos, para salvaguardar a sã doutrina, sobretudo nos primeiros tempos. Diante dos constantes ataques dos hereges, os padres da Igreja motivavam a buscar a verdadeira doutrina no ensinamento apostólico, transmitido aos bispos por meio da sucessão apostólica, Conforme nos mostra Santo Irineu: 
“Portanto, a tradição dos apóstolos, que foi manifestada no mundo inteiro, pode ser descoberta e toda igreja por todos os que queiram ver a verdade. Poderíamos enumerar aqui os bispos que foram estabelecidos nas igrejas pelos apóstolos e seus sucessores até nós; e eles nunca ensinaram nem conheceram nada que se parecesse com o que essa gente [os hereges] vai delirando. [...] Com efeito, deve necessariamente estar de acordo com ela, por causa da sua origem mais excelente, toda a Igreja, isto é, os fiéis de todos os lugares, porque nela sempre foi conservada, de maneira especial, a tradição que deriva dos apóstolos” (Contra as Heresias, III, 3,1-2, Santo Irineu Bispo de Lião).
A sucessão apostólica
Para que a missão, confiada aos apóstolos, de ensinar, santificar e governar atingisse os confins da terra, seria necessário que este encargo fosse transmitido. Sob a inspiração do Espírito Santo, a Igreja transmite a homens íntegros o múnus dos apóstolos, perpetuando, através do tempo e do espaço o mandato de Jesus. Sobre isso, fala o Catecismo, citando a constituição dogmática Lumen Gentiun (20): “Do mesmo modo que o encargo confiado pelo Senhor singularmente a Pedro, o primeiro dos apóstolos e destinado a ser transmitido aos seus sucessores, é um múnus permanente, assim também é permanente o múnus confiado aos apóstolos de serem pastores da Igreja, múnus cuja perenidade a ordem sagrada dos bispos deve garantir”. Por isso, a Igreja ensina que, ‘em virtude da sua instituição divina’, os bispos sucedem aos apóstolos como pastores da Igreja, de modo que quem os ouve, ouve a Cristo e quem os despreza, despreza a Cristo e Aquele que enviou Cristo”.
O apostolado
Sob o impulso missionário, do qual Jesus é a fonte e a origem, a Igreja é enviada em missão para todo o gênero humano. Para isso, primeiramente o Senhor enviou os doze, e após estes, todos aqueles que, por meio da sucessão apostólica, foram enviados para servir a messe e apascentar o rebanho do Senhor como epíscopos. Aos apóstolos e seus sucessores, confiou Cristo a missão de ensinar, santificar e governar em seu nome e com o seu poder. Contudo, a Igreja, juntamente com todos os seus membros, participa deste envio que corresponde a uma única missão, porém, por meio de vários ministérios.
Por fazer parte do Corpo místico de Cristo, os leigos também participam da missão da Igreja realizando as funções de sacerdotes, profetas e reis por meio do batismo. O mistério da “apostolicidade” da Igreja se confunde com seu caráter missionário. Esta, por sua vez, é sempre inserida na dinâmica de anunciar a Boa-nova aos povos: “nos foi dada esta graça de anunciar aos gentios a insondável riqueza de Cristo” (Ef.3,8).
No sentido do apostolado, a Igreja permanece sob o influxo do Espírito Santo, pois é Ele o protagonista de toda a missão, é Ele que sustenta a Igreja em todos os tempos. Ao longo dos séculos, a Igreja permaneceu fiel à sua missão por meio de várias atividades apostólicas, desempenhadas em favor dos homens. Porém, não se pode esquecer que é da vida sacramental que vem toda a força da atividade apostólica, como nos ensina o decreto Apostolicam actuisitatem (n. 3): “Pelos sacramentos, especialmente pela Eucaristia, comungam e são alimentados pelo amor que é a alma de todo apostolado”. (AA 3)
A apostolicidade é, para a Igreja, a garantia de fidelidade às origens, às fontes dos ensinamentos de Jesus, dados aos apóstolos e transmitidos aos bispos, seus sucessores até os tempos de hoje. Não se pode esquecer que a dimensão apostólica da Igreja é desempenhada, sobretudo, por meio da caridade e solicitude pastoral do seu apostolado.
Jorge Eduardo
Missionário da Comunidade Católica Shalom
Bibliografia:
Catecismo da Igreja Católica
FIRULAS:
A Igreja é Una, Santa, Católica e Apostólica. Os termos designam as propriedades essenciais da Igreja, que fundamentam a realidade da sua natureza e missão.
Jesus, o Verbo encarnado, recebeu do Pai a missão de reconciliar a humanidade consigo, e para isso é que Ele foi enviado. Assim, Jesus é, por excelência, o “Apóstolo” do Pai.
Para anunciar e transmitir a Palavra de Deus, o próprio Espírito Santo, por meio do chamado de Jesus, faz desses simples homens “servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Deus”
A apostolicidade é, para a Igreja, a garantia de fidelidade às origens, às fontes dos ensinamentos de Jesus, dados aos apóstolos e transmitidos aos bispos, seus sucessores até os tempos de hoje.
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