segunda-feira, 18 de julho de 2011

Igreja Católica. O que isso significa?

Dizer que a Igreja é Católica não diz respeito somente ao seu nome jurídico e institucional, mas expressa parte de sua identidade profunda. Como lemos nos artigos desta seção nos meses passados, a Igreja é, por identidade, Una e Santa; neste mês veremos que a Igreja, é também essencialmente Católica. A palavra católica vem do grego e significa universal, no sentido de “segundo a totalidade” ou “segundo a integridade”. Então, esse termo pode ser usado para exprimir a identidade da Igreja num duplo sentido:
1- A Igreja é Católica porque nela Cristo está presente. O que significa que ela recebe dele a plenitude dos meios para a salvação: a confissão de fé correta e completa, as sagradas Escrituras, a vida sacramental integral e o ministério ordenado na sucessão apostólica. Neste sentido, a Igreja é Católica desde pentecostes e continuará sendo até a parusia, porque é unida a Cristo de modo inseparável. É ontologicamente ligada a Ele assim como o corpo é ligado à cabeça. Aliás, nela subsiste a plenitude do corpo unido à sua Cabeça. Sim, por meio da Igreja Católica, Cristo oferece todos os meios necessários para a salvação e santificação. Isso faz com que a Igreja seja totalizante, isto é, perfeita, no processo salvífico e santificante de todos os seres humanos.
2- A Igreja é Católica porque é enviada por Cristo à universalidade do gênero humano:“Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28,19)”.
A Igreja é Católica porque todos os homens são vocacionados a pertencer ao novo Povo de Deus reunido em Cristo. Esse Povo, permanecendo uno e único, deve estender-se por todo o mundo e por todos os tempos, para que se cumpram os desígnios de Deus de congregar emCristo Cabeça todos os filhos que andavam dispersos. Por isso, faz parte da catolicidade da Igreja sua missão universal. Missão que, desde o tempo apostólico, realiza-se na pregação do Kerygma, na instituição de novas Igrejas particulares e na infusão dos valores evangélicos no mundo, meios pelos quais o Espírito Santo, por meio da Igreja, forma um Povo. Um Povo que não é como uma simples agremiação de pessoas, mas é sinal sacramental de que o Reino de Deus já começa neste mundo, Reino de paz e de justiça, de caridade e de esperança.
Para a realização da sua catolicidade, a missionariedade é essencial para a vida da Igreja. A Igreja é Católica porque também é essencialmente missionária em vista da universalidade dos homens. Se, por um lado, o ser Católico da Igreja indica a instituição, por outro, indica o dinamismo, que é próprio da sua essência; indica a dynamis, ou seja, a potência, a virtude inerente à própria natureza que se movimenta rumo ao realizar-se plenamente. Natureza eclesial que se realiza plenamente também por meio da missão. Missão que tem sua fonte última no amor eterno da Santíssima Trindade, pois sua peregrinação se funda na missão do Filho e do Espírito Santo segundo o amoroso desígnio do Pai. E, segundo o próprio Catecismo, o fim último da missão não é outro senão fazer os homens participarem da comunhão que existe entre o Pai e o Filho no seu Espírito de Amor.
A missão é, então, comunicação de um amor. A missão é questão de caridade. É a comunicação do amor do Pai, que, em Cristo, revelou-se ao homem e, pelo Espírito Santo, por meio do trabalho missionário da Igreja, sua Esposa, quer ser comunicado ao mundo. A catolicidade da Igreja, então, também se realiza através da vida missionária dos seus filhos. A missão é também a comunicação de um amor recebido. É o introduzir o homem numa comunhão de amor divino da qual o missionário já faz parte. O motivo da missão é o amor de Deus por todos os homens e o seu desejo de que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. Assim, se, por um lado, a missão é questão de amor, por outro, é questão de fé no projeto universal de salvação para toda a humanidade.
Pela própria missão, a Igreja caminha para a humanidade inteira, pois católica (universal) é sua missão. Caminha entre as vicissitudes da vida humana em contato a cada dia com a grandeza da graça de Deus e a fragilidade dos seus membros, entre a riqueza do tesouro que anuncia e as dificuldades impostas pela sociedade de cada tempo. Aliás, se lermos um bom manual de história da igreja, perceberemos que nunca houve um período de real tranquilidade nesses dois mil anos de Igreja. Isso quer dizer que para a realização da missão é necessário paciência. A missão começa no anúncio do Evangelho aos povos e aos grupos que ainda não creem em Cristo; prossegue no estabelecimento de comunidades cristãs que sejam “sinal da presença de Deus no mundo” e na fundação de Igrejas Locais (dioceses, prelazias, eparquias), envolve um processo de inculturação para encarnar o evangelho nas culturas, enfim, a Igreja deve infundir no mundo os valores do Evangelho também por meio da caridade. Tudo isso não se dá sem que a Igreja também conheça momentos de fracassos na longa estrada que percorre para alcançar o coração do homem. Aqui chegamos ao momento de dizer que a missão requer esperança. Uma Esperança na realização da sua missão de congregar todos os povos em Cristo Jesus. Esperança que se contraponha a todos os sinais de desesperança que assombraram a Igreja ao longo dos séculos. Assim, concluímos que a missão da Igreja, pela qual também passa sua catolicidade, requer fé, esperança e caridade para levar todos os homens à salvação, pois foi em vista dessa salvação universal que Cristo instituiu a Igreja, Sua Esposa, como sinal sacramental da presença do seu Reino sobre este mundo e como espaço privilegiado para a salvação.
Sobre a Igreja como lugar de salvação, há uma expressão muito importante para a catolicidade da Igreja. Estamos falando daquela conhecida frase de São Cipriano de Cartago: “Fora da Igreja não há salvação”. Como entender essa afirmação também repetida por tantos padres? O que a referida expressão significa é que toda salvação vem de Cristo Cabeça por meio da Igreja, que é seu corpo. Isto é, o único mediador e caminho da salvação é Cristo, que se torna presente a nós pelo seu corpo, que é a Igreja. O Divino Salvador, tendo instituído a necessidade da Fé e do Batismo para a salvação e tendo constituído o colégio apostólico com a missão de levar a Fé e o Batismo a todos os povos (Mt 28,19), ao mesmo tempo, confirmou a necessidade da Igreja, na qual os homens entram por meio do Batismo através de uma porta e passam a fazer parte do seu Corpo Místico. Do seu único e Católico Corpo Místico. Então, aquilo que a Igreja é pela Graça deve expressar por meio de suas instituições, ou seja, a Igreja se apresenta ao mundo como uma Unidade Católica, isto é, como um corpo hierarquicamente organizado. Por isso, não podem salvar-se aqueles que, mesmo sabendo que a Igreja Católica foi fundada por Deus através de Jesus Cristo como instituição necessária, não querem nela entrar ou perseverar.
Esta expressão, “Fora da Igreja não há salvação”, não se refere, porém, àqueles que, sem culpa, desconhecem a Cristo e a Igreja. Aqueles, portanto, que, sem culpa, desconhecem o Evangelho, mas buscam a Deus com o coração sincero e tentam, sob o influxo da graça, cumprir por obras a sua vontade conhecida através do ditame da consciência, podem conseguir a salvação eterna. No entanto, essa abertura na compreensão da expressão patrística supracitada não deve relativizar o fato de que Cristo instituiu a Igreja, sua Esposa, como instrumento privilegiado e universal de salvação. Por outro lado, não deve absolutizar que a salvação é algo exclusivo para os membros da Igreja Católica, pois também estes que já foram redimidos por Cristo por meio do batismo para alcançarem a salvação definitiva devem viver em coerência com a graça recebida.
Por fim, compreendemos que a Igreja é Católica porque dispõe de todos os meios necessários para aplicar a redenção realizada por Cristo em favor de todos os homens. Expressa sua catolicidade através da missão de anunciar o Evangelho a todos os povos e de congregar todas as nações na presença sacramental do Reino de Cristo sobre a terra.


Silvio Scopel
 Missionário da Com. Católica Shalom 
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