quarta-feira, 13 de julho de 2011

Confiar no Senhor

O mundo de hoje marcado por tantos contra valores também recebeu a marca da desconfiança. É difícil confiar nas autoridades, representantes públicos, no outro e o pior, projeta-se, cada vez mais, uma desconfiança do próprio Deus. Isso se deve a decepções, situações traumáticas geradoras do medo de arriscar-se, de lançar-se, de ir ao encontro do outro e de Deus.
Contudo não se deve esquecer que apesar de uma possível ferida nessa área não podemos paralisar nossas ações ou viver acorrentado nesses grilhões da desconfiança. É preciso seguir em frente, descongelar o rio de nosso passado, deixar fruir a caridade que se traduz de forma bela através da confiança.
Quanto mais amamos a Deus mais descobrimos o quanto Ele é digno de receber com inteireza nossa vida. Confiar demasiado em nós mesmos, em nossas forças, virtudes, dons, etc é um risco que só nos afasta do essencial. Associado à justa estima devido a nós mesmo deve ser claro a compreensão de que somos fracos, limitados e totalmente dependentes do Senhor.
Quando Jesus repreendeu os seus, e trouxe para junto a si as criancinhas, nos deixava um ensinamento eloqüente. É preciso ter um coração de criança para entrar no Reino de Deus e mais, é preciso fazer-se como criança. Aqui, claro, nada relacionado ao infantilismo, próprio das pessoas nesta faixa etária. Aqui trata-se do abandono e da dependência própria da criança.
Jesus mesmo, o Verbo de Deus fez-Se pequenino. Encarnou-se no seio da Virgem Maria. Foi concebido e em tudo, com exceção do pecado viveu como um de nós. Recém nascido viveu sua condição de total abandono e dependência de Deus através de José e Maria que lhe proveu o necessário para que crescesse em estatura e graça.
O Reino de Deus, que segundo o papa Bento XVI, em seu livro, Jesus de Nazaré é o próprio Cristo requer de quem se dispõe a segui-Lo um coração pequenino, uma atitude de total confiança na sua graça. Deus resiste aos soberbos nos ensina são Tiago e se inclina aos humildes. O arrogante, aquele que é-cheio-de-si não pode descobrir o segredo de uma vida pautada no abandono irrestrito nas mãos do Senhor.
Jesus tinha esse coração de criança, que em nada é pieguice ou infantilismo, como já fora citado. No Getsêmani quando se encontra diante da vontade do Pai, Jesus une-se de modo perfeito e feliz nesse caminho de cruz e ressurreição. Ele abandona-se inteiramente, sem reservas. E, sabemos que tal atitude não implica ausência de dor ou sofrimento.
Portanto, quem quer seguir Jesus é chamado a lançar fora toda auto-suficiência e a vã ilusão de achar que se basta.
Esse coração pequeno é forjado em meio às lutas, aos desafios de cada dia, através dos quais somos exercitados a deixar nossas vidas nas mãos de Deus, sem medo do que Ele faça e do que Ele nos peça ou para onde Ele nos envie. Nossa felicidade consiste em tudo fazer a sua santa e soberana vontade, de modo feliz, testemunhando ao mundo que nossa alegria encontra-se no abandono e na confiança em Deus, sem a qual nos relegaria a uma existência pobre, pesada e sem um sentido último.
 
Vanderlúcio Souza 
Comunidade Shalom 
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