sexta-feira, 4 de março de 2011

As virtudes teologais

As Virtudes Teologais tem como origem, motivo e objeto imediato o próprio Deus. São assim o penhor da presença e da ação do Espírito Santo nas faculdades humanas. Fundamentam e animam o agir moral do cristão, vivificando as virtudes humanas.

O primeiro e maior de todos os mandamentos é o da caridade para com Deus. "Mestre, qual é o principal mandamento da lei? Respondeu Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração de toda tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o maior e o primeiro mandamento" (Mat. 22, 36-38). Portanto, o mandato de amar a Deus implica reconhecê-lo como o Deus único e verdadeiro, acolhê-lo e adorá-lo, percebendo e experimentando concretamente que fora dele tudo é vão, como nos diz Santa Teresa D'ávila, e que só nele se tem a verdadeira felicidade.

Para que o homem ame o Senhor acima de tudo, é necessário viver as virtudes teologais - da fé, da esperança e da caridade.

A Fé

A fé é a virtude sobrenatural pela qual cremos ser verdadeiro tudo o que Deus revelou, pela autoridade do próprio Deus que revela.

A fé é requisito fundamental para alcançar a salvação, portanto é absolutamente necessária para se alcançar a vida eterna, a união íntima com Deus. “A fé age pelo amor” (Gál. 5,6). Desta forma, devemos procurar conhecê-la, confessá-la, alimentá-la pela oração, pelos sacramentos, pela leitura da Palavra e pela formação religiosa, preservá-la de perigos como a influência de falsas doutrinas, a convivência, leituras de livros, programas de rádio ou televisão, filmes, teatros, conferências, etc., contrários a fé.

Pecados contra a Fé

Pecamos contra a Fé  quando a deixamos de lado, esquecendo das coisas de Deus, ou quando a colocamos em perigo. Por exemplo: Ir raramente ou nunca à Missa, não estudar o Catecismo, ler livros que ensinam coisas erradas sobre Deus e sua Igreja.

Peca contra a Fé, principalmente, quem admite dúvidas contra aquilo que aprendemos da Santa Igreja Católica. Hoje é comum ouvir: eu sou católico, mas não acredito nesse ponto ou naquele. Há muitos que não acreditam na Palavra de Deus, que não acreditam no inferno ou no demônio. Outros não creem mais na presença real de Jesus na Eucaristia. Eles escolhem dos dogmas católicos os que lhes convém. É esse  o sentido da palavra heresia: escolher, separar por opiniões próprias. O pecado mais grave contra a Fé comete quem a renega, abandonando a Igreja Católica, passando para falsas religiões.

A Esperança

É baseada na bondade e no poder infinito de Deus; na fidelidade divina às suas promessas. Por ela nós desejamos e aguardamos de Deus a vida eterna

O desespero e a presunção são pecados contra a esperança. O primeiro consiste em julgar que Deus já não perdoará os pecados nem dará a graça e os meios necessários para se alcançar a salvação. É o exemplo de Caim e de Judas. O segundo é um excesso de confiança que se faz esperar a vida eterna sem usar os meios prescritos por Deus, como a graça e as boas obras.

A presunção é  fruto do orgulho, e se manifesta em esperar a salvação pelas próprias forças sem o auxílio da graça, em salvar-se só pela fé, sem realizar boas obras, em deixar a conversão para a hora da morte e continuar pecando, pecar livremente, em vista da facilidade com que Deus perdoa e expor-se demasiado às ocasiões de pecado, presumindo poder resistir às tentações.

Pecados contra a Esperança

Existem dois tipos de pecados contra a virtude da Esperança: a presunção e o desespero.

A presunção consiste em acharmos que podemos possuir a Deus, tanto pela graça (na vida terrena) quanto na vida eterna, sem a ajuda de Deus. Isso acontece muito em pessoas que levam uma vida longe de Deus, sem corrigir seus pecados, sem confissão e comunhão, e que acham que, apesar disso, Deus lhes dará a salvação.

O desespero consiste em achar que nunca poderemos alcançar a vida eterna, ou que Deus nunca nos perdoará dos nossos pecados. Isso acontece com frequência em pessoas que passam por muitos sofrimentos e não têm confiança no socorro de Deus. Quando sofremos muito, devemos nos voltar para Deus na oração, com firme certeza da ajuda de Deus que, infinitamente misericordioso, nos ajudará a nos levantar da queda do pecado.

Quem possui essa virtude?

Todos os fiéis que vivem na terra em estado de graça. No céu, os bem-aventurados não possuem mais esta virtude porque já vivem na possessão eterna de Deus e não podem, assim, esperar alcançá-la.

A Caridade

É a virtude sobrenatural pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

Ela é “o caminho mais excelente de todos”. Há para isso três razões: a primeira razão encontra-se na bondade intrínseca nela e por ser a que mais diretamente nos une a Deus. A segunda está no fato de que dirige e ordena para Deus todas as outras virtudes, as quais, sem ela, estariam como que mortas e informes. E a terceira, é que não acaba com o fim da vida terrena, visto que o amor não passa, não tem fim, pois constitui o conteúdo essencial da vida eterna.

Amamos a Deus por causa da Sua perfeição infinita e de sua bondade. Deus é o próprio amor. Por isso, quando amamos alguém na caridade, esse amor nos foi dado por Deus. É na intimidade da oração, no silêncio interior, que podemos descobrir este caminho luminoso e pleno.

Pecados contra a Caridade

.Todos os pecados mortais, pois eles são ofensas a Deus que ferem seu amor por nós. Ao pecar, nos colocamos acima de Deus;

. Preguiça ou tibieza espiritual: fraquezas nos atos de amor a Deus, como o desânimo na oração, distração na Missa, fraqueza nas mortificações, etc.

. Ódio contra Deus - é o pecado que vai diretamente contra o amor de Deus; é a fuga e o abandono de Deus. Devemos rezar por tantas almas que encontramos, que manifestam o ódio de Deus, muitas vezes pelo indiferentismo religioso, apenas deixando a Deus de lado, não querendo saber dele.
 

Adeilson Medeiros M. Costa
Missionário da Comunidade de Aliança Shalom (Teresina-PI) 
Fonte: Compêndio do Catecismo da Igreja Católica – Edições Loyola
Esplendor da Verdade
A Vida Espiritual, Benedikt Baur – Ed. Quadrante
Os Dons de Santificação do Espírito, Luciano do Amaral – Edições Loyola
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