sábado, 16 de abril de 2011

Amar, cresçamos no dom mais perfeito

Nos níveis mais baixos de formas de vida — no mundo dos micróbios, onde impera uma luta inclemente pela existência suprema — tudo parece lógico e compreensível. Em contraste com a auto-abnegação e o amor, não são nada, mas estranhas e misteriosas contradições para o instinto cego da auto-preservação.
Paradoxalmente, no estado mais elevado de desenvolvimento de um animal na escala da existência, são observados os mais freqüentes exemplos de auto-sacrifício ou manifestações de suaves e altruísticos sentimentos. Muitas vezes isto é expressado através de ajuda mútua entre animais da mesma espécie, como por exemplo: lobos e leões vivem em famílias e caçam em bandos. Machos e fêmeas distribuem entre si os cuidados pelos filhotes e às vezes manifestam mutuamente sentimentos de muita ternura.
Se nos níveis mais baixos de vida de alguns animais eles demonstram crueldade entre si como por exemplo, um crocodilo comendo seus filhotes ou um peixe devorando suas ovas durante a fome; nos níveis mais elevados, o amor materno alcança total abnegação. Aqui com certeza pode ser dito, que tal comportamento altruístico é essencial para a continuação das espécies e portanto pode também ser racionalizado dentro dos parâmetros das leis da evolução; porém, no nível mais elevado da existência, os humanos podem atingir altitudes nobres, tais como generosidade e abnegação-própria, que são impossíveis de se esclarecer pelos princípios biológicos-evolutivos.
Certamente, os seres humanos são capazes de se sacrificarem não somente para o bem de seus filhos, mas também para os estranhos, como por exemplo: distribuir seus próprios recursos para o bem dos famintos, cuidar dos órfãos, tratar dos doentes ou cuidar dos enfermos individualmente acometidos por doenças contagiosas. Com essas atividades altruísticas essas pessoas não obtém nenhum ganho pessoal, mas colocam-se em uma posição, onde estão ameaçados não só o seu bem-estar mas também as suas vidas. Além do mais, os humanos são capazes de amarem os seus inimigos — pessoas que em princípio são perigosas para eles; isto vai totalmente contrário às leis da natureza e da própria-preservação.
Uma observação mais profunda dos mistérios da existência, revela que a ascensão na escala da vida dos micróbios até dos animais mais complexos e finalmente dos seres humanos, vai não só pela linha do aperfeiçoamento físico e crescimento do intelecto, mas pela "espiritualidade" e altruísmo.
O aspecto mais marcante disto, é que o processo de perfeição desses atributos não é limitado ao nosso mundo físico, mas passa para a esfera dos anjos e finalmente termina no Ser Supremo e Criador de todas as coisas, Aquele, O qual nós denominamos Deus!
De fato, quanto maior é o desenvolvimento do ser, tanto maior é a sua capacidade para amar. Desta maneira fica claro que, se o princípio de auto-preservação decorre de cegas leis físicas, então a maravilhosa capacidade de amar é essencialmente um atributo não físico, o qual nós conseguimos à medida que nos aproximamos Dele, que é Perfeição e Amor inexplicável. "Quem não ama, não conhece a Deus, porque Deus é caridade" (1Jo 4:8).
Conseqüentemente, o verdadeiro progresso consiste não somente no desenvolvimento do intelecto e da espiritualidade, porém mais especificamente no aperfeiçoamento de si mesmo a um amor não egoísta.
Neste contexto o maior exemplo pode ser visto em Nosso Senhor Jesus Cristo, pois, sendo o Filho de Deus e vivendo na Sua inalcançavel glória, Ele deixou Seu mundo maravilhoso e fez parte do nosso "vale de lágrimas," dividindo conosco nossos fardos e aflições. Ele sofreu, para que nós fôssemos libertados do sofrimento. Ele morreu, para que nós pudéssemos ter a vida.
"Mas Deus manifesta a Sua caridade para conosco, porque, quando ainda éramos pecadores, no tempo oportuno morreu Cristo por nós... Porque se, sendo nós inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de Seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos por Sua vida"(Rom 5:8-10).
Assim a nossa capacidade de amar não pode ser deduzida das leis físicas. Amor é uma característica do nosso Criador, o Qual implantou-o em nós junto com a Sua imagem e semelhança. Deus dotou os animais até um certo grau com a capacidade de amar, porque Ele predestinou o homem a ser o representante dos dois mundos (físico e espiritual) e isto fez a passagem da vida inferior à superior, tranqüila e consecutiva. Dando-nos esta maior capacidade de amar, Deus elevou-nos acima do resto da criação e uniu-nos ao mundo espiritual.
Entretanto, o movimento na escala para o aperfeiçoamento moral pode ser somente ascendente em direção a Deus, porém, quando esse movimento vai em sentido descendente, em direção contrária a Deus, há o desaparecimento das qualidades espirituais e por fim dos sentimentos nobres. Conseqüentemente, é possível ao homem descer ao nível mais baixo dos animais e insetos, onde impera uma impiedosa luta pela sobrevivência, quando ele possui um desinteressado amor cristão. Mas este não é o limite mais inferior da escala; ainda mais abaixo pode ser encontrado o desenvolvimento antinatural de hostilidade e ódio. Uma pessoa quando se distancia dos caminhos de Deus submerge no abismo da maldade demoníaca — o abismo do desejo estúpido e insensato de destruir e matar.
Se o sentimento de amor aquece, constrói e traz a vida; o ódio tudo destrói, invalida e prejudica. O aspecto mais assustador, é que a maioria das pessoas assemelham-se aos demônios em seus comportamentos, a maioria delas começam na experiência do prazer sádico em suas ações, provocando sofrimento às outras. Ao mesmo tempo, matando os outros não apresenta nenhum benefício direto, como por exemplo no mundo dos micróbios onde um come o outro por causa da sobrevivência. Aqui, o objetivo, é o processo atual de escárnio e destruição. Isto é um abismo satânico assustador, um buraco negro, do qual é impossível livrar-se.
É por isso que Cristo nos chama a lutarmos com todas as nossas forças, contra as nossas más tendências e a nos esforçarmos a amar a todos, inclusive aos nossos inimigos. Apesar do nosso bom senso e das razões práticas nos indicarem que devemos nos defender do inimigo; para o nosso bem espiritual é mais correto respondermos ao ódio, com amor. Nós precisamos aprender como o sacrifício temporário nos traz benefícios em prol das recompensas eternas. Deixemos que as pessoas nos olhem como seres estranhos, a vida futura revelará quem era realmente sensato. Deus sabe como é difícil ir contra o óbvio e superar os nossos instintos comuns para com nossos inimigos, por isso Ele nos dá assistência orientando-nos a orar por eles.
A oração possui uma enorme força espiritual. Em primeiro lugar ela nos ajuda a vencer os maus sentimentos que nos levam ao abismo do ódio. Em segundo lugar, orações pelo inimigo podem ajudá-lo a perceber os seus erros e a levá-lo a retomar o caminho verdadeiro. Desta maneira, salvando a ele e a si próprio, nós podemos participar da grande obra da salvação da humanidade, pela qual Nosso Senhor Jesus Cristo veio a Terra.
Conseqüentemente, cada vez que nós sacrificarmos um benefício e uma satisfação própria, a qual manifesta amor para com o próximo, nós subiremos um degrau mais próximo a Deus.
As pessoas valorizam o sucesso no esporte, nas ciências e nas artes, entretanto elas progredindo na capacidade de amar terão a mais elevada e autêntica forma da perfeição.
Portanto, vamos pedir a Deus a nos ensinar a amar, especialmente a Ele — Nosso Criador e Salvador.

Site ortodoxo: fatheralexandre.org
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