quarta-feira, 30 de março de 2011

Por que nós adiamos nossas confissões?

Hoje tem fila para tudo: no banco, para entrar no estádio e na loja cheia de promoções... Só não há fila para a confissão. 

Essas filas desapareceram, também, porque nas igrejas novas sumiram os confessionários e as pessoas não sabem mais onde devem ir para se confessar. Até os padres, para ouvir as confissões, estão ficando raros. Já falamos muito sobre a crise desse sacramento e tentamos experiências novas. Algo de mais comunitário; deu pouco resultado. Tiramos as grades, quase nada. Arrumamos confortáveis salinhas com sofás e ar condicionado. São boas para conversar, mas os clientes da confissão não aumentaram. 

Nem na Quaresma os católicos se lembram do mandamento da Igreja: "Confessar os próprios pecados pelo menos uma vez ao ano". Pedido que, junto com o outro: "Receber o sacramento da Eucaristia pelo menos na Páscoa" (Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, pg. 197) formam o famoso "preceito pascal". O movimento está fraco. Outros tempos aqueles das filas na Semana Santa! É a modernidade. 

Evidentemente muitos gostam mais de se confessar com os seus amigos pelo celular. Outros preferem o "bate-papo" da Internet, para contar as "coisas cabeludas" deles e dos colegas também. Fofocas, mentiras e disparates andam soltos. Porém isso não tem nada a ver com a confissão. O arrependimento e o perdão são coisas sérias. Não dá para fazer de conta. Precisa, antes, reconhecer que erramos. Mas para isso precisamos de um ponto de apoio, como na física. Um ponto firme para nos levantar de novo, um ponto seguro para agüentar o peso dos nossos pecados. 

Qual será esse ponto de apoio sobre o qual devemos reconstruir a nossa vida, fazer as pazes com quem ofendemos, pedir desculpa a quem gostaríamos tanto de amar de novo e mais ainda? 
É o Pai da parábola que Jesus contou. Vejam porquê. O filho, sim, aquele que pediu o adiantamento da sua herança, que andou o mundo todo, que ficou doido de prazer, que encheu a cara com tudo o que estava ao alcance do seu dinheiro, não ficou feliz. Nem amou e nem foi amado. Foi tudo um faz-de-conta. Quando a mentira da farra acabou, ficou pobre e faminto. Não somente pobre de dinheiro e faminto de comida, muito pior: ficou sozinho porque o amor comprado, não é amor, é fachada. Não satisfaz. Aí se lembrou daquele que não deixava faltar comida aos seus empregados; daquele que talvez ainda o amasse mais do que o dinheiro que lhe tinha dado e que ele havia jogado fora. Tinha quase certeza de ser acolhido, ao menos, como trabalhador. Como podia esperar ser amado de novo? Sabia não merecer mais tanto amor. Mas o Pai o surpreendeu: foi ao seu encontro, abraçou-o e o beijou. Que se dane o dinheiro; este meu filho estava morto e voltou a viver, estava perdido e foi encontrado, vamos festejar. Que Pai maravilhoso! Bom demais. A festa foi de arromba. Com dança e tudo. Só não queria entrar o outro filho, invejoso e mesquinho. Contudo o grande Pai também foi ao seu encontro suplicando para que ele entrasse. 

Inventamos desculpas para não confessar porque esquecemos o Pai. Nós esquecemos a alegria do perdão, cultivamos rancores, antipatias e mágoas. Mas o grande Pai não. Nós todos valemos muito mais do que tudo aquilo que podemos ter esbanjado ou aprontado longe de casa. Ele não precisa dos nossos bens e nem da nossa ficha limpa, quer o nosso coração. É só voltar para casa, pobres e humildes. Sem orgulho, mas com saudade. O abraço do perdão será inesquecível e a festa também. 

Que tal? Vamos entrar na fila? A Semana Santa vem aí. 

Dom Pedro José Conti, bispo 
Bispo de Macapá (AP) 

Fonte: CNBB
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