quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Quem é Deus?

“Deus é amor” (1Jo 4, 8)

Iniciar um relacionamento significa começar um processo de conhecimento do outro. Entre o homem e Deus isso também acontece. Relacionar-se com Ele significa buscar conhecê-lo cada vez mais. Nessa busca, muitos tentam definir a Deus. O Catecismo da Igreja Católica faz isso, logo no primeiro parágrafo: “Deus, infinitamente Perfeito, Bem-aventurado em sim mesmo, em um desígnio de pura bondade, criou livremente o homem para fazê-lo participar de sua vida bem-aventurada. Eis por que desde sempre e em todo o lugar, está perto do homem. Chama-o e ajuda-o a procurá-lo, a conhecê-lo e a amá-lo com todas suas forças”.

No parágrafo 36: “A Santa Igreja, nossa mãe, sustenta e ensina que Deus, princípio e o fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão humana a partir das coisas criadas. Sem esta capacidade, o homem não poderia acolher a revelação de Deus. O homem tem esta capacidade por ser criado à imagem de Deus”.

E ainda no parágrafo 27: “O desejo de Deus está inscrito no coração do homem, já que o homem é criado por Deus e para Deus; e Deus não cessa de atrair o homem para si, e somente em Deus o homem há de encontrar a verdade e a felicidade que não cessa de procurar”.

Na sequência deste texto, segue parte da Constituição Pastoral Gaudium et Spes (GS 19, 1): “O aspecto mais sublime da dignidade humana está nesta vocação do homem à comunhão com Deus. Este convite que Deus dirige ao homem, de dialogar com ele, começa com a existência humana. Pois se o homem existe, é porque Deus o criou por amor e, por amor, não cessa de dar-lhe o ser, e o homem só vive plenamente, segundo a verdade, se reconhecer livremente este amor e se entregar ao seu criador”.

Estes três parágrafos não são os únicos. Porém, mostram com clareza o que a Igreja Católica pensa e prega a respeito de Deus. Nestes textos encontra-se a imagem de Deus Criador, início de tudo, que por um infinito amor criou o homem. Além disso, pode-se perceber a presença de Deus na vida do homem e o desejo de que este homem, por sua livre iniciativa, procure Deus, e o ame com todas as suas forças. Sabendo que esta tarefa não é simples. Ele está sempre presente e disposto a ajudar.

A palavra “homem”, repetida inúmeras vezes nas passagens anteriores, pode tornar o texto impessoal e distante. Para tornar estes textos mais presentes na nossa vida, pode-se trocar a palavra “homem” pelo nosso próprio nome. Com isso, fica mais fácil perceber o chamado e o cuidado particular de Deus com cada um de nós.

Na Bíblia, podem ser encontradas mais características de Deus, como, por exemplo, na 1ª Carta de São João, onde ele revela que “Deus é amor”. Essa é a essência de Deus. O discípulo que ‘Jesus amava’ nos revela a mais profunda verdade sobre Deus: Ele é amor. Isso é determinante para conhecê-lo. Precisamos estar profundamente convencidos dessa essência, pois isso determina a maneira como nos relacionamos com Ele. Se Deus é amor, Ele ama. Não pode deixar de amar. E se não pode deixar de amar, tudo o que faz, o faz por amor. Todo medo de Deus sucumbe quando nos convencemos de que Deus é amor. Se Deus é amor, não há nele maldade, ressentimento, vingança ou autoritarismo. Todas essas características viciadas que muitas vezes trazemos inconscientemente de Deus caem por terra quando tomamos consciência de que Deus é amor. Se isso é verdade, ele não é indiferente à dor humana. Se Deus é amor, então ele não pode ser um Deus distante, ausente ou carrasco. Ele é Amor!

Porém, a definição mais pedagógica de Deus é apresentada pelo próprio Jesus, quando chama Deus de Pai (Mt 6, 5-13). Dentro da cultura judaica, Deus era visto de várias maneiras, mas nunca como um Pai. Quando Jesus o chama não apenas de Pai, mas de ‘Abba’ – Papai – ele revela a nós qual é o amor paternal que Deus tem para conosco e qual é o amor filial que devemos ter em relação a Deus. A partir dessa fala de Jesus, já não podemos mais conhecer um Deus a quem devemos apenas servir e adorar. Um Deus que está distante em seu trono aguardando nosso sacrifício. Não! Após a fala de Jesus chamando Deus de Papai, entendemos que somos seus filhinhos queridos e devemos nos relacionar com Ele assim, de maneira íntima, como dependentes, como criancinhas que precisam de seu colo, de sua companhia, de sua Graça.

No conceito de ‘pai’ estão embutidas as ideias de: origem, autoridade, verdade, sabedoria, providência, fidelidade, misericórdia, amor. Muitas vezes, por experiências ruins em relação a nossos pais naturais, temos dificuldades em aceitar a figura paterna de Deus. É preciso orar pedindo a cura disso. Orar para aceitar a Deus como Pai e para perdoar nossos pais. Eles ao limitados como nós. Provavelmente também não receberam o amor paterno equilibrado quando pequenos e por isso não souberam manifestar esse amor a nós. Como diz o cantor católico Martin Valverde: “Deus não é um pai, Ele é O Pai!”. Todas as falhas e limitações de nossos pais que possam ter nos machucado não estão presentes em Deus. O Senhor detém a plenitude da paternidade. Ele é o Pai Perfeito.

Esse amor de Pai zeloso é manifestado em nossas vidas a todo o momento. Mesmo que não o percebamos, cegos pelas dores ou pela incredulidade, esse amor nos envolve carinhosamente. Se há uma coisa que o Pai não pode fazer é deixar de nos amar. “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16).

Esse amor se manifesta antes mesmo do nosso nascimento. O salmista celebra as maravilhas de Deus: “Fostes vós que plasmastes as entranhas de meu corpo, vós me tecestes no seio da minha mãe. Sede bendito por me haveres feito de modo tão maravilhoso” (Sl 138). Nossa natureza, nossas características (todas e cada uma delas) são sinais do amor de Deus por nós.

Reconhecemos este Deus Pai e Criador sempre que rezamos o Pai Nosso, o Creio, ou mesmo no simples “em nome do Pai, do filho e do Espírito Santo”. Ao longo da nossa vida nos habituamos a estas orações e, às vezes, nem nos damos conta do que estamos rezando. Além de reconhecê-lo efetivamente como Pai, é fundamental que cada um se aproxime de deus e queira ardentemente estar junto dele em todos os momentos.

QUIROGA, Aldo Flores e FLORES, Fabiana Pace Albuquerque. Práticas de Vida e Relacionamento – Ministério Jovem RCCBrasil. Módulo Serviço – Apostila I. 2ª edição.

Siglas:
CIC – Catecismo da Igreja Católica
GS - Constituição Pastoral Gaudium et Spes

Fonte: Renovação Carismática Católica

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