terça-feira, 26 de abril de 2011

Semana de vitórias e derrotas

Que a vida e a fé não giram em torno do sucesso atesta-o a semana que nós, católicos, há séculos chamamos de Semana Santa.

Começa no festivo e vitorioso Domingo de Ramos com direito a mantos estendidos no chão, aclamações ao futuro rei dos judeus e uma entrada triunfal; passa pela Quinta-Feira de ceia fraterna, depois angústia e solidão; avança pela Sexta-Feira de apupos e ofensas, pancadas, cusparada, tortura, sangue, cruz e derrota pesada; atravessa o Sábado no túmulo e se conclui no Domingo de vitória. Oito dias para repensarmos nossa própria trajetória.

Os ainda iludidos com a fama, o dinheiro, os primeiros lugares, os tapinhas nas costas, os grandes públicos, os elogios na mídia, o sucesso de pregação, sucesso de votos e de vendas farão bem em refletir sobre o que houve com Jesus no curto espaço de uma semana. Boa parte do povo mudou de lado, os manipuladores do povo venceram, os inimigos os derrotaram, a stablishment o silenciou. Pronto! O futuro rei estava no seu devido lugar: na cova, que era onde já deveria estar de há muito…

Acontece que ele ressuscitou. Os inimigos garantem desde então que foi trama. Querem-no morto para sempre, mas sua memória está viva e nós, crentes em Jesus, afirmamos que ele está vivo. Quem venceu perdeu e quem perdeu venceu!

Das muitas lições de Jesus naqueles dias de ganhos e de perdas, fica a lembrança de que o efêmero às vezes nos põe no pedestal e o mesmo efêmero nos tira de lá. E não adianta contar com a torcida porque esta, como num estádio, às vezes torce contra! Depois volta a torcer a favor, sobretudo se voltamos a vencer.

Não há pessoa ou pequeno grupo que não tenha sofrido revés. Nem tudo sai como prevíamos, nem tudo é sucesso, nem todo sucesso dura, mas também nem toda dor ou perda é para sempre. Somos cavaleiros do antes, do durante e do depois. Embora creiamos em Jesus e sustentemos que ele é o esperado Messias, sua trajetória permanece um mistério. Paulo sugere que os efésios cresçam querendo entender largura, cumprimento, altura e profundidade destes acontecimentos. (Ef 3,18). Uma coisa é a semana, outra a reflexão. Derrotado é quem não sabe nem perder nem vencer. Jesus soube!

Padre José Fernandes de Oliveira, SCJ
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