quarta-feira, 7 de outubro de 2009

OS FILHOS SÃO UMA BÊNÇÃO DE DEUS PARA A VIDA DO CASAL.

Escrito pelo Professor Felipe Aquino.
Há duas mentiras que precisam ser reveladas: uma a de que existe muita gente no mundo e a outra que não há alimento suficiente para todos. Tal proposição não é verdadeira, o que falta é uma melhoria na sua distribuição. A ONU diz que, com a revolução da biotecnologia, com a revolução verde da genética, o mundo teria hoje condições de alimentar dez bilhões de pessoas, quatro bilhões a mais do que a atual população mundial.
Recentemente, li uma reportagem na Folha de São Paulo, que dizia que a quantidade de alimento que nós no Brasil jogamos no lixo daria para acabar com a fome no País. Então, no mundo, não falta comida nem espaço; faltam, sim, atitudes de amor, uma melhor repartição dos bens, o fim do problema da corrupção, da falta de ética de alguns políticos. Vamos rezar e trabalhar para que isso aconteça, mas não vamos querer resolver o problema do mundo sacrificando a vida, impedindo a vida de existir.
Solução fácil para problema difícil
Uma tese muito forte da filosofia diz: imagine que você tenha dez pessoas e queira colocar um chapéu em cada cabeça, mas você só dispõe de nove chapéus. Uma cabeça, portanto, vai ficar sem chapéu. Como nenhuma cabeça deve ficar sem chapéu, então restam duas alternativas: a primeira é arranjar um chapéu a mais e colocar na cabeça que está sem ele. A segunda alternativa é cortar uma cabeça, para que fiquem nove cabeças e cada uma com seu chapéu. A política de controle de natalidade é a política de cortar cabeças, sob o argumento de que arranjar um chapéu a mais é difícil e custa caro. É mais complicado encontrar o chapéu…
A igreja, meus irmãos, nunca será estimada pelo mundo. Por quê? O Papa Paulo VI disse uma vez: a Igreja não aceita soluções fáceis para problemas difíceis. Por isso, a Igreja é odiada pelo mundo, tida como arcaica, obscurantista e medievalista. Se você quebrar a perna, não ficará curado se eu disser: vá para casa e tome três aspirinas. É claro que não vai funcionar e você ainda vai ter que ir para o hospital… Foi grave o problema, então a solução é difícil. Entrai pela porta estreita.
Não esqueçam que, quando Pedro quis tirar a cruz de Cristo, Ele disse: Afasta-te de mim, Satanás”.O mundo está nos enganando, dizendo - “é loucura ter filhos”. Deus diz, não é. É, antes, uma bênção. O salmo 126, da família, diz assim: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os construtores…” No versículo três do mesmo salmo, está escrito: “Os filhos são um dom de Deus”. Não está escrito que os filhos são uma maldição de Deus.
Tenho visto que algumas mulheres, quando ficam grávidas, parece que engravidaram de uma maldição. Arrancam os cabelos, ficam desesperadas, o que não é cristão. Os filhos são um dom de Deus. Uma recompensa, o fruto das entranhas. Tal como as flechas nas mãos do guerreiro, assim são os filhos gerados na juventude. Feliz o homem que assim encheu a sua aljava. Você sabe o que significa aljava? É aquela bolsa que o arqueiro enche de flechas. O salmista compara os filhos gerados na juventude com as flechas do arqueiro. Ele diz: “Feliz o homem que assim encheu a sua aljava, pois está cheio de flechas”. O guerreiro está pronto.
No jubileu da família, o Papa disse muitas coisas. Entre elas disse: “Casais católicos, não tenham medo da vida, famílias católicas, não tenham medo da vida”. E se há alguém que deveria ter medo da vida é o próprio Papa, que foi criado sem mãe, por seu pai. João Paulo enfrentou o nazismo na Polônia, pois sabemos que a guerra começou quando Hitler invadiu esse pequeno país da Europa Central. O futuro pontífice amargou sofrimentos variados na família. Era alguém para ter receio de tudo que dissesse respeito a filhos e à própria família, no entanto é hoje a voz profética do Espírito Santo que diz para os casais seguidores de Cristo: “Não tenham medo da vida”.
Nós estamos com medo, todos estão com medo, mas o problema mostra-se como uma questão de fé. São Paulo diz: “Sem fé, é impossível agradar a Deus”. O justo vive pela fé”, diz o profeta Habacuc. Então, se formos dar ouvidos à voz do mundo, não vamos ter filhos, vamos temer a alta da inflação, do dólar, o avanço da globalização… Isso não é a Lei de Deus. O mundo sempre teve problemas, guerra, terrorismo… em todas as épocas da história. E a Igreja sempre ensinou a mesma coisa: os filhos são uma benção de Deus.
Gostaria de fazer uma citação do Catecismo: “Chamados a dar a vida, os esposos participam do poder criador e da paternidade de Deus. Os cônjuges, no ofício de transmitir a vida e de educar, missão própria deles, são cooperadores do amor de Deus criador”.
Podemos, neste mundo, fazer a obra que for, mas ela nunca será tão grande quanto a de gerar e educar um ser humano. Um dia, as estrelas vão se apagar, os computadores não irão funcionar, os aviões não voarão, os navios não vão singrar os oceanos… mas um filho nunca acaba, é eterno. Não há obra que possamos fazer neste mundo que possa se comparar com a geração e a educação de um filho.
É por isso mesmo que Deus quer que tomemos muito cuidado com eles. Não podem nascer de qualquer jeito, a Igreja fala de paternidade e maternidade responsável. E diz ainda: “Tenham o máximo de filhos que vocês puderem criar”. Cada um é quem decide. Se alguém disser para você: “Aqui tem um tesouro: ouro, pérolas, pedras preciosas… abra o baú e leve o que quiser”. O que você vai fazer? Vai encher os bolsos e levar tudo o que puder. Ora, os filhos são uma benção. E Deus diz: “Leve o que você quiser”. Então, leve o máximo!
A Sagrada Escritura e a prática tradicional da Igreja vêem nas famílias numerosas um sinal da benção divina e da generosidade dos pais” (Cat 2373). A um casal que vive mal, brigando, longe de Deus, não aconselho ter muitos filhos. Talvez fosse até melhor não ter nenhum. Mas, não tenho dúvidas de dizer junto com a Igreja a nós, que buscamos a vontade de Deus, que temos a fé, que amamos nosso cônjuge e queremos viver o amor de Deus: “Tenham o máximo de filhos que vocês puderem criar”.
Eu parei em cinco. E hoje, olhando nossos filhos todos criados, às vezes digo: “Se tivéssemos tido oito, seríamos mais felizes”. Gasta-se muito, chora-se muito e ri-se muito. Mas há muito mais felicidade do que frustrações.
Vocês sabem que os muçulmanos casam-se com várias mulheres e têm muitos filhos com cada uma. E nós, cristãos, não queremos ter nenhum, ou no máximo dois. É também por isso que o Islamismo é uma das religiões que mais crescem no mundo. E eu não quero que a lei de Deus seja enterrada pelo egoísmo, pelo comodismo, pelo medo. Nós, casais cristãos, devemos fazer essa reflexão, e ela já começou, graças a Deus!
Cheguei aqui em Fortaleza e fui recebido por um casal jovem que tem cinco filhos, depois encontrei uma outra mãe jovem que está esperando o sexto filho.
Catástrofes
Não há muita gente no mundo. Vou dar um dado estatístico. No Japão há 300 pessoas por quilômetro quadrado, enquanto no Brasil há vinte. E é assim em toda a América Latina. Em Israel, 200. E lá no Japão não há fome nem analfabetismo, o que mostra que o que resolve o problema do homem não é matar a vida.
O Malthusianismo, criado pelo cientista Malthus, previa que iríamos chegar ao ano 2000 com dez bilhões de habitantes enfrentando uma terrível fome. Hoje, não passamos de seis bilhões. Segundo previsões da ONU, chegaremos ao ano 2050 com não mais do que dez bilhões de pessoas vivendo no planeta. Tais teses catastróficas provenientes de pagãos, os que negam a crença em Deus, assustam o mundo. Um país, para manter sua população, deve ter um índice de natalidade de dois filhos por casal, mas isso na verdade gira em torno de dois filhos. Porque, mesmo morrendo o pai e a mãe, permanece o mesmo índice populacional. Então, matematicamente falando, o país que tiver um índice de natalidade menor de que dois filhos por casal, verá sua população diminuir.
Na Europa, apenas dois países têm esse índice. Todos os demais estão com a população diminuindo. Foi um doutor em história moderna, formado pela Sorbonne, Dr. Pierre Chani, quem concluiu em um estudo que, se persistir esse estado de coisas, a Alemanha, por exemplo, dentro de algum tempo, acabará.
Na década de 50, o índice de natalidade no Brasil era de cinco filhos por casal, hoje é de 2,2. Estamos chegando ao limite em que a população não vai mais aumentar.A força de uma nação está em seu povo. Temos o exemplo da China, hoje, respeitada, atualmente com cerca de 1,2 bilhões de pessoas. Os americanos não impõem a si mesmos uma política de controle de natalidade tal como eles o fazem à América Latina. Para eles, o elemento propulsor de um país está em sua população, o seu mercado consumidor em potencial. Os EUA temem que os povos latinos tenham um bom desenvolvimento populacional. O mundo está, sim, despovoado.
Na Amazônia há apenas duas pessoas por quilômetro quadrado, e nós estamos com medo, achando que o mundo está cheio de gente. A Igreja não quer que sejamos loucos, irresponsáveis, mas também não quer que sejamos egoístas, comodistas e medrosos.
Vou contar uma história: conheci um velhinho, cujo apelido era Baracho, que vivia na minha casa e criava galinhas. Como gostava muito de contar histórias, um dia ele disse: “Quando nasceu o meu oitavo filho, eu estava tão pobre, tão pobre, que o padrinho da criança me pediu para levá-la, e eu disse: “Deus dá, Deus cria”. E acreditem, tal homem teve 22 filhos. Estou contando isso pois nunca consegui esquecer: “Deus dá, Deus cria”. Deus não deixa faltar nada, Ele cuida. Sou professor e nunca saí da sala de aula, mas a cada filho que eu tinha, ia ganhando mais dinheiro.
Como educar os filhos, para que tal tesouro que Deus coloca em nossas mãos não seja negligenciado? Peçamos ao Santo Espírito que retire de nós este medo…
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