quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Socialização e socialismo

Todos defendemos a justiça social. Mas há distinções a fazer nesse campo, sobretudo entre socialização e socialismo. Socialização é o oposto de individualização. Consiste na multiplicação das relações dentro da convivência social, comportando a associação de várias formas de atividade e criação de instituições jurídicas, dando origem a grupos, movimentos e instituições de diferentes tipos. Tem muitas vantagens: 
torna possível satisfazer os direitos da pessoa humana, especialmente ao sustento, saúde, educação, trabalho, etc. Ela multiplica os organismos e torna possível uma regulamentação jurídica das relações entre as pessoas. Existe o perigo de ela diminuir a liberdade de ação dos indivíduos e sua responsabilidade. É preciso favorecer suas vantagens e evitar suas consequências negativas. Daí a necessidade de um ordenamento jurídico por parte das autoridades públicas, numa concepção exata do bem comum, no sentido de favorecer o desenvolvimento integral da pessoa humana (Cf. S. João XXIII, enc. Mater et Magistra, 59-67).

Assim sendo, a Igreja é a favor da socialização, na sua noção correta, no sentido do crescimento e interação de relações sociais e crescente desenvolvimento de formas associativas, se se precisar recorrer em tudo ao Estado, grande e paternalista. 

Mas não é a mesma coisa socialização e socialismo. Para curar os males advindos da revolução industrial do século XVIII, que prejudicou os operários, foi proposta uma falsa solução: o socialismo, que é, em graus variados, contra a propriedade de bens particulares e a favor do Estado grande proprietário e controlador de tudo, inclusive da família (cf. Leão XIII, encíclica Rerum Novarum, 4 e 5). O socialismo chegou ao seu auge com o comunismo, que prega a luta de classes e a completa destruição da propriedade particular. 

Alguns são contra o comunismo, mas se dizem a favor do socialismo, versão, segundo eles, mais mitigada do comunismo. Mas, na verdade e no fundo, são a mesma coisa. Basta lembrar que o nome do país onde se instalou oficialmente o comunismo marxista se chamava URSS, União das Repúblicas SOCIALISTAS Soviéticas. E o nome oficial do Nazismo é Nacional-SOCIALISMO. Ambos, regimes totalitários. Os extremos se tocam.

Eis o que ensina o Papa Pio XI: “O socialismo, quer se considere como doutrina, quer como fato histórico, ou como ‘ação’, se é verdadeiro socialismo, mesmo depois de se aproximar da verdade e da justiça, não pode conciliar-se com a doutrina católica, pois concebe a sociedade de modo completamente avesso à verdade cristã”. Mais: católico e socialista são termos contraditórios: “E, se esse erro, como todos os mais, encerra algo de verdade, o que os Sumos Pontífices nunca negaram, funda-se, contudo, numa concepção da sociedade humana diametralmente oposta à verdadeira doutrina católica. Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista” (Encíclica Quadragesimo Anno, n. 116 e 119 - 15/5/1931).

Dom Fernando Arêas Rifan
Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney (RJ)
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