segunda-feira, 27 de junho de 2011

“Que estais procurando? Vinde e vede”


As primeiras palavras de Jesus registradas pelo Evangelho, segundo São João são: “Que estais procurando? Vinde e vede” (Jo 1,38).
No encontro com João Batista, Jesus não se pronuncia ao ser apontado como o Cordeiro de Deus. O evangelista deixa de lado o diálogo que São Mateus resume em Mt 3,13-15, no qual João queria ser batizado, mas Jesus insiste em “cumprir toda a justiça”. Após o testemunho de João, acontecem os encontros de Jesus com os primeiros discípulos.
Tomemos este trecho de Jo 1,35-51 para orarmos com ele, utilizando o método de Lectio divina. Leia com atenção, à meia voz, pelo menos três vezes o texto acima, procurando entender os encontros de Jesus, as pessoas envolvidas e o ambiente. Depois, leia outra vez silenciosamente, como se Jesus estivesse falando com você, pondo-se no lugar de cada discípulo. Em seguida, faça sua oração e permaneça aberto ao que o Senhor desejar realizar em sua alma. São estes os quatro passos da Lectio Divina: leitura, meditação, oração e contemplação.
Como você viu, os encontros de Jesus com seus primeiros discípulos são bem simples, mas a experiência ocorrida em cada um deles foi profunda e marcante para o resto de suas vidas a ponto de largarem tudo e segui-lo até dar a vida por Ele.
Partilhemos um pouco sobre o texto. Note, por exemplo, que Jesus havia sido batizado no dia anterior, e passando é novamente apontado por João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus”. André e João são dois discípulos do Batista que o deixam para seguir Jesus. Todo carisma e força do profeta que batizava são insuficientes para “segurar” aqueles dois. Melhor dizendo, é o próprio João que “empurra” os dois para Jesus.
André e João, bem como todo o povo, aguardavam “O Profeta”. João Batista tinha todas as características do Messias esperado, mas negara categoricamente. Ele era o que preparava o caminho e, enfim, o viu chegando. A humildade e o abandono, na vontade de Deus, não permitiram que o próprio João Batista fosse atrás do Mestre, porém, envia os seus discípulos para Ele. Vai dar sua vida em coerência com sua missão pelas mãos assassinas de Herodes, a pedido de Herodíades e Salomé.
Sabendo que está sendo seguido por André e João, pois passara ali para atraí-los a si, Jesus volta e pergunta: “Que estais procurando?” Os dois fascinados pela mansidão e brilho que irradiava do Mestre, respondem perguntando: “Onde moras?” A resposta é um convite que continua ressoando através dos séculos: “Vinde e vede!” A todos os que têm um encontro casual ou ouviram falar de um “tal Jesus”, Ele convida para uma experiência pessoal, única e irrepetível: “Vinde e vede!” O salmista antigo já sugeria: “Provai e vede quão suave é o Senhor" (Sl 34(33),9). Eles foram e viram! Novamente, o Senhor faz o mesmo convite a você, do século XXI: “Vem e veja”. Você é convidado a conhecer e estar com o Senhor, a provar da sua doçura, mansidão e alegria, da paz messiânica que é toda sorte de bens materiais e espirituais que Jesus traz.
A paz é contagiante! André é instrumento para aquele que será o príncipe dos apóstolos, seu irmão, Simão, que tem o seu primeiro encontro com Jesus. O olhar de Jesus para Simão (cf. vers. 42) vai marcá-lo para sempre. Pedro e os outros não “fizeram” nada, não deram provas de boa oratória para uma pregação eficaz, ou de serem conhecedores da Lei ou mesmo algumas boas ações que os credenciassem. Simplesmente, Jesus passou, olhou-os, amou-os e os convidou para segui-lo: “Tu, Simão, filho de João, chamar-te-ás Cefas, isto é, Pedro/Pedra”. Tens agora uma nova missão.
O próximo encontro é com Filipe, e não é um longo discurso de convencimento. Uma palavra bastou: “Segue-me”. Não há como expressar a graça e a força do olhar de Jesus para Filipe. Talvez, aqui, você esteja pensando: “Ah! Mas, eu não tive esse olhar”. Porém, sua felicidade, bem-aventurança, pode ser bem maior, como diria Jesus a Tomé: “Porque viste, creste. Felizes os que não viram e creram!” (Jo 20,29).
Filipe, “contagiado”, encontra Natanael, o mesmo Bartolomeu dos Sinóticos, e diz: “Encontramos aquele de quem falaram Moisés e os Profetas”. Diante da incredulidade inicial, Filipe faz o mesmo convite de Jesus: “Vem e veja!”. Natanael aceita e, antes de chegar, a graça de Deus estava agindo. Diz-lhe Jesus: “Antes que Filipe te chamasse, eu te vi, quando estavas sob a figueira”. O conhecimento de Jesus ultrapassa as aparências e o tempo. Ele vê o coração e sabe de cada um, de cada particularidade de nossas vidas. Por isso pode consolar-nos e curar-nos as feridas da vida. Para cada um, o Senhor tem uma palavra de ciência ou de sabedoria que toca no fundo da alma. Nada complicado, tudo simples. Basta estar aberto ao que Ele deseja nos dar.
Oração
Faça agora sua oração. Louve-o e agradeça a Ele por ter chamado você e pela experiência pessoal que Ele lhe proporcionou. Tudo o que você é e tem, foi dado por Ele. Continue sua oração contemplando a bondade, misericórdia e sabedoria de Deus. Deixe-o agir em sua alma.
Anote em seu caderno os “rhemas” e moções que o Senhor lhe deu para você não esquecer e colocar em prática .


José Ricardo Bezerra
 Consagrado da Comunidade de Aliança Shalom
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