terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A autoridade e a obediência como meios de unidade

A Autoridade e a Obediência como meios de Unidade entre os Homens

“Submetei-vos uns aos outros no temor de Cristo” (Ef. 5, 21).

Cristo Jesus derramou gratuitamente sobre toda a raça humana, perdida pelo pecado, a sua graça, que realizou nela uma obra de purificação, de remissão, tornando-a assim, bela, fascinante, amável e pura aos seus olhos. O homem encontrou graça aos olhos divinos, encontrou favor junto de Deus. Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, a fim de purificá-la, de santificá-la tornando-a toda “gloriosa sem mancha nem ruga, ou coisa semelhante, mas santa e irrepreensível”. É interessante refletir sobre este aspecto fundamental na vida de cada homem. A graça de Deus vai muito além de um favor, de um algum dom, a graça de Deus é o dom dele mesmo ao homem, é Cristo que se entregou pelo homem de forma livre e gratuita. Cristo veio ao encontro do homem para doar-se a ele por puro amor.

O homem que havia se afastado de Deus pelo pecado, que havia rompido com a amizade, a intimidade de Deus, e que por isto vivia um “tempo de angústia”, de agonia, necessitava ser liberto desta “prisão” que o atormentava, que o condenava. E Deus, no seu infinito amor pelo homem, entrega-se inteiramente por ele e lhe concede a graça, o perdão, a paz, a reconciliação com ele. Jesus entregou a sua vida para que cada homem fosse salvo da solidão arrasadora, esta solidão terrível que o pecado conquistou afastando-o inteiramente do seu Deus. E tudo isto fez pensando em resgatar para o homem o sentido verdadeiro de sua vida: que é a comunhão com ele.

João Paulo II escreve em sua carta encíclica sobre o valor e a inviolabilidade da vida humana: “O homem é chamado a uma plenitude de vida que se estende muito para além das dimensões da sua existência terrena, porque consiste na participação da própria vida de Deus”. O homem deve reconhecer no seu coração o valor sagrado de sua vida “desde o seu início até seu termo, e afirmar o direito que todo ser humano tem de ver plenamente respeitado este seu bem primário” ( pág. 7). Continua o Santo Papa que é “sobre o reconhecimento de tal direito que se funda a convivência humana e a própria comunidade política”.

Todas essas realidades sobre a vida humana devem ser sempre respeitadas para que não ocorra o risco de a violar ou destruir. O amor de Deus é o único caminho que salvaguarda a vida humana. E este amor divino foi derramado no coração do homem, pelo poder do Espírito Santo, para que ele tivesse a capacidade de respeitar algo tão sagrado, que é a sua própria vida e a dos seus irmãos.
Deus é Trindade. Deus é comunidade. Deus é amor, e criou o homem com a capacidade de amar plenamente, por isto o homem é infeliz quando vive para si mesmo. O homem é um ser social, e o sentido da sua vida se manifesta quando doa a si mesmo aos outros.

Você pode agora está se perguntando: “Tudo o que foi escrito até agora, o que tem a com a autoridade e obediência? E eu respondo: Tem tudo a ver, porque a autoridade e a obediência devem ser exercidas como meio para gerar comunhão, para gerar unidade. A autoridade e a obediência cristã, tão importantes para a boa ordem em todas as áreas da vida humana, para o bom relacionamento entre pessoas, possui essa missão, porque é um serviço que cada homem presta ao outro. É doação de vida, é oferta de vida, porque a verdadeira autoridade vem de Deus, por isto ao exercer a autoridade o homem precisa reconhecer que ela é algo divino, e, sendo divino, não pode ser exercida com a intenção de dominar, de ter poder.

Aqueles que exercem a autoridade de forma desordenada, ou seja, o autoritarismo, em vez de promover e fortificar a unidade, favorecem para que aconteça exatamente o contrário pelas conseqüências maléficas que geram. Com certeza, também terão dificuldades de obedecer quando a situação inverter. A autoridade deve ser exercida com a reta intenção de prestar um serviço a Deus e aos irmãos, por isso quanto maior for o grau de autoridade que se exerce, maior será a condição de ser servo.

Por outro lado, aqueles que exercem a obediência devem compreender também que estão abraçando uma graça de doação de vida, primeiro ao próprio Deus e depois àquele que é sua autoridade. É muito importante que cada um compreenda o significado verdadeiro da obediência, que possui uma única razão, o serviço ao amor, a paz, a harmonia, ao crescimento pessoal e social.

Quando uma família é conduzida pela autoridade distorcida do homem, a qual recebe a força de uma também distorcida submissão, é uma família cheia de medos, de rancor, de guerras interiores, de competição, de ansiedade, de infelicidade, que vai corroendo os seus membros intimamente, destruindo o seu direito de crescimento, de formação humana e espiritual, de uma bem-estar psicológico, emocional, e porque não dizer uma boa estabilidade financeira, que neste caso não significa simplesmente a falta de dinheiro, mas sim a sua utilização desordenada, mesmo que seja pouco, baseada somente no seu bel-prazer.

A autoridade do homem deve ser exercida da mesma forma que “Cristo amou sua Igreja e por ela se entregou a fim de purificá-la com o banho da água e santificá-la pela Palavra, para apresentar a si mesmo a Igreja, gloriosa, sem mancha nem ruga, ou coisa semelhante, mas santa e irrepreensível”. Da mesma forma, que “as mulheres estejam sujeitas aos seus maridos, como ao Senhor, porque o homem é a cabeça da mulher, como Cristo é cabeça da Igreja e o salvador do Corpo”. Se o homem tiver a Cristo como modelo e força conseguirá exercer a autoridade segundo o seu significado essencial que é a serviço do amor, da ordem, da segurança, da paz... tendo sempre diante de seus olhos que a autoridade nunca poderá ser exercida para seu proveito próprio, para servir a si mesmo, aos seus caprichos, reconhecendo que seu significado está muito além da sua mentalidade egoísta, mas para trazer felicidade e paz para a sua família, que transbordará para a sociedade. Em contra partida, a mulher deve exercer a sua submissão totalmente inserida na submissão que deve a Cristo, reconhecendo que a autoridade do homem é uma missão e jamais uma atitude de superioridade e de dominação, pelo fato de que seu papel é ser a sua “cabeça”, como Cristo é cabeça da Igreja e o salvador do Corpo, da mesma forma que a Igreja está sujeita a Cristo.

Não poderia terminar esse artigo sem louvar a Deus que tudo faz perfeitamente, sempre desejando o melhor para cada homem, para infundir nele o amor, a paz, a segurança, a alegria, o bem-estar, a realização... Bendito seja teu nome, Deus de amor, agora e para sempre! Bendito seja teu nome, Senhor, que criastes o homem imprimindo nele a tua autoridade e a mulher com a mesma submissão que a Igreja deve a ti!

Escola de Formação Shalom
Postar um comentário