quinta-feira, 7 de julho de 2011

Escolher o Belo!


a liberdade comporta a possibilidade de escolher o bem e o m
"A liberdade comporta a
possibilidade de escolher entre
o bem e o mal"
Com a massa das ofertas que têm comprometido de forma sutil a nossa capacidade de avaliar o bem verdadeiro e escolhê-lo, temos entrado – com a mesma sutileza com que somos atingidos – numa grande crise de apreciação. A velocidade e o volume do que nos é apresentado e a “multidão” das facilidades têm imposto aos nossos sentidos a busca da felicidade a qualquer preço, sem perder um segundo; e temos sofrido um “assalto à nossa liberdade”. Em que sentido?
O Catecismo da Igreja Católica ensina: “Enquanto não se tiver fixado definitivamente em seu bem último, que é Deus, a liberdade comporta a possibilidade de escolher o bem e o mal” (Cat, 1732) e ainda: “É falso pretender que o homem, sujeito à liberdade, baste a si mesmo, tendo por fim a satisfação de seu próprio interesse no gozo dos bens terrenos” (Cat, 1740).
O que a Igreja quer nos advertir com essas palavras? Que não somos obrigados a decidir pelas conveniências da atualidade que pressionam os nossos sentidos, mesmo quando o nosso coração humano apela pela felicidade. Existem, de fato, muitas ânsias dentro de nós e é bastante compreensível os nossos entusiasmos diante do fácil, entretanto, nem tudo deve ser permitido pelo fato de ser compreensível. Exatamente pelo dom da liberdade que trazemos, devemos avaliar, ver se o que escolhemos não mina necessariamente esse dom precioso, a fim de que o apelo que nos libera não se torne nossa prisão.
Têm-se feito várias reflexões sobre a gravidade e os efeitos dos antivalores, mas o enfoque urgente deve ser a necessidade da experiência com o Belo e o Bem verdadeiro.
É muito válido termos a consciência e a percepção das “vantagens” que impõem aos nossos sentidos uma escolha imediata do que, muitas vezes, compromete de maneira nociva a realização do nosso coração humano. Existe um imediatismo tragando de nós aquela pausa salutar que nos permite ver, apreciar e julgar o bem em questão; não é apenas a consciência da gravidade que nos faz recuar diante dos antivalores, mas uma proximidade com o Belo é que pode nos fazer escolher, além de identificar o bem verdadeiro.
Sendo Cristo o Belo e o Bem por excelência, já não podemos acomodar nossas escolhas aos ritmos da cultura, da moda e de toda e qualquer linguagem de felicidade que não seja Ele mesmo a referência, porque tudo aquilo que não nos direciona a este fim compromete gravemente nossa liberdade: “A liberdade alcança sua perfeição quando está ordenada para Deus” (Cat, 1731). Tudo aquilo que nos lança nesse imediatismo entorpece nossa capacidade de identificar e reagir àquilo que é mal e só a experiência de trazer os sentimentos de Cristo pode filtrar e definir em nós o que nos torna verdadeiramente livres.
A ênfase dessa questão não é a definição exata da liberdade, mas a necessidade da experiência com o Bem que nos imprime os valores sólidos que devem ser base das nossas escolhas e presidir a nossa apreciação. O problema deixa de ser o volume e a velocidade do que nos incute os ritmos da cultura, da moda, da mídia em geral, e vem a ser a gravidade de uma consciência embotada, que por isso urge em retornar ao que é belo e bom em definitivo. Não se trata de uma culpa isolada dos antivalores, mas de uma responsabilidade individual e comunitária de examinar onde estão firmados os nossos critérios, quais são suas referências.
Agora ou nunca
Estamos todos sob a ordem do “agora ou nunca” de uma avalanche de toda espécie de valores, no entanto, se estivermos sob o escudo de preferirmos Deus a tudo, a liberdade será preservada e autêntica, uma vez instruídos pelo que de fato é Belo e Bom. Tudo aquilo que contraria a finalidade da nossa existência que é ser para Deus não pode sob nenhuma circunstância ser nomeado liberdade e hesitar à ordem do “seja livre para escolher” não nos torna menos livres, ainda que fiquemos, por preferir a Deus, sem um lugar no mundo.
Temos alegado sede de felicidade ao gastar nossos ânimos no que tem nos lançado tão longe dela, sem dar-nos conta de que o problema da felicidade, hoje, é também ignorar seu Autor verdadeiro.

Meyr Andrade de Sousa
Missionária da Comunidade Católica Shalom
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