sábado, 13 de novembro de 2010

Os púlpitos modernos

Os meios de comunicação são ferramentas poderosas para a formação ou a deformação das consciências da sociedade. É por esse motivo que nós, como cristãos não podemos prescindir de tal expediente para anunciar a Salvação, ou seja, a Pessoa de Jesus Cristo.

Segundo estudiosos, os meios de comunicação possuem três funções distintas, a saber: informar, educar e distrair. Apesar de serem funções aparentemente excelentes, escondem atrás de si uma propriedade extremamente desafiante, que é a transmissão de conteúdos e opiniões prontas, conceitos indiscutíveis e supostamente verídicos. Isso é um perigo, pois ao contrário do que acontece no relacionamento interpessoal, a relação com o meio de comunicação é unilateral, ou seja, não admite interpelações, mas apenas uma atitude passiva de receber, receber, receber.

A argumentação daqueles que são favoráveis à utilização indiscriminada desses meios se resumem em algumas afirmações como “se não gostou, não acesse”, ou ainda, “se não gostou, mude de canal ou desligue”. A realidade, todavia não é tão simples assim.

Subordinados que são a grandes interesses, esses meios adotam formas bastante aprimoradas de comunicação sensorial, afetiva e racional, de maneira que conseguem arrastar multidões atrás de si. Inclusive esta é umas das formas que países mais poderosos se utilizam para influenciar os mais fracos. Nesse sentido, o Papa João Paulo II já afirmava no ano de 1982 que há “uma tendência para o exercício de pressão externa sobre o mundo da imprensa, rádio e televisão, impondo, por parte de países mais poderosos, não só tecnologia, mas também ideias. (...) E esta pressão de ideias é mais prejudicial e insidiosa do que muitos meios evidentemente coercitivos”.

Exemplos disso são as maneiras de agir sugeridas por novelas, filmes e outros; a criação de necessidades de produtos que até então inexistiam, em razão da excessiva publicidade; o modelo de felicidade baseado em dinheiro, poder e status; os hábitos alterados nos lares com elementos estranhos incorporados no interior das famílias.

As mensagens emitidas são tão imediatas, apelativas e impactantes que dificultam o desenvolvimento da crítica acerca do que é veiculado. O que fazer?

Em primeiro lugar não podemos nos esquecer que os meios de comunicação são ferramentas. São como uma faca. Uma faca pode nos ajudar a viver. Exemplo disso é que ela pode servir de instrumento para a preparação de alimentos. Ela, todavia, pode nos matar.

Em segundo lugar precisamos relembrar que somos todos, sem exceção, missionários e que por isso um dever se nos impõe: “proclama a palavra, insiste, no tempo oportuno e importuno, refuta, ameaça, exorta com toda paciência e doutrina” (2Tm 4, 2).

Ora, se os veículos de comunicação adentraram as casas, tornaram-se um dos meios de maior penetração de todas as sociedades, espaços e locais, eles devem ser usados para anunciarmos o Cristo Ressuscitado! Sua capilaridade é vasta!

A respeito, o Papa Paulo VI exortou:

“Postos ao serviço do Evangelho, tais meios são suscetíveis de ampliar, quase até o infinito, o campo para poder ser ouvida a Palavra de Deus e fazem com que a Boa Nova chegue a milhões de pessoas. A Igreja viria a sentir-se culpável diante do seu Senhor, se ela não lançasse mão destes meios potentes que a inteligência humana torna cada dia mais aperfeiçoados. É servindo-se deles que ela ‘proclama sobre os telhados’, a mensagem de que é depositária. Neles encontra uma versão moderna e eficaz do púlpito. Graças a eles consegue falar às multidões” (Evangelii Nuntiandi, 45).

É sem dúvida nenhuma uma maneira extraordinária de enriquecer a missionariedade da Igreja.

Por fim, tal evangelização precisa ainda ser feita com “parresia e inteligência missionária”, sem descurar de uma forte unção do Espírito Santo Paráclito. Somente assim, a Palavra chegará “com a capacidade de penetrar na consciência de cada um desses homens, de se depositar nos corações de cada um deles, como se cada um fosse de fato o único, com tudo aquilo que tem de mais singular e pessoal, a atingir com tal mensagem e do qual obter para esta uma adesão, um compromisso realmente pessoal” (Evangelli Nuntiandi, 45).

Não percamos tempo, portanto! Corramos aos meios de comunicação para evangelizar!

Aurélio Lopes Missionário da comunidade de aliança Shalom

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