sábado, 4 de julho de 2009

A estratégia por debaixo de << O código da Vinci >>


A estrat&eactute;gia por debaixo de «O Código da Vinci»
Entrevista com o escritor Mark Shea

SEATTLE, terça-feira, 6 de março de 2006. Milhões de pessoas em todo o mundo leram «O Código da Vinci», e muitas mais esperam ver a versão cinematográfica que estreará em 19 de maio.

Por isso, Mark Shea e Ted Sri --escritor e professor de Teologia, respectivamente-- escreveram o livro «A decepção do Código da Vinci» («The Da Vinci Deception», Ascension), uma guia que marca a diferença entre os fatos e a ficção narrados no livro de Dan Brown.

Shea explicou a Zenit nesta entrevista os principais erros contidos no livro e por que o texto &eactute; uma ameaça para a f&eactute; dos cristãos.

--O que os levou a escrever este livro?

--Shea: Dezenas de milhões de pessoas leram «O Código da Vinci», e muitas viram como sua f&eactute; em Cristo e na Igreja Católica ficava abalada. Este livro converteu-se em um enorme fenômeno cultural, em grande parte porque ataca a verdadeira pessoa e missão de Jesus Cristo. Isso deve ser corrigido.

A resposta no longo prazo &eactute; que «O Código da Vinci» converteu-se na fonte do que eu chamo de «pseudoconhecimento» sobre a f&eactute; cristã.

O pseudoconhecimento &eactute; esse que «todos conhecem», mas que &eactute; irreal. Mas importa realmente quando afeta negativamente as crenças mais sagradas de bilhões de pessoas, e quando acusa a Igreja Católica de ser uma grande «associação de delinqüentes», fundada sobre a mentira da divindade de Jesus e de sua ressurreição.

Quando isso acontece, gênios muito desagradáveis saem de suas garrafas, como quando as mentiras registradas pela polícia czarista do s&eactute;culo XIX, nos «Protocolos dos Sábios de Sião», converteram-se na base do que «todos sabem» sobre os judeus, justificação das terríveis perseguições anti-semitas do s&eactute;culo XX.

«O Código da Vinci» vendeu cerca de 30 milhões de exemplares. Em maio, estreará o filme e adquirirá uma autoridade indiscutível entre uma audiência de milhões de analfabetos históricos e teológicos, a não ser que os cristãos esclareçam os fatos e ajudem os espectadores a reconhecer o mal que lhes fizeram.

Quem diz que «não &eactute; mais que uma novela» simplesmente não compreende que nisto consiste o engano. As pessoas com freqüência aceitam em uma novela de ficção o que não aceitariam em um debate razoável.

E isto &eactute; sobretudo verdade porque Dan Brown, autor de «O Código da Vinci», afirmou recentemente que não mudaria nenhuma de suas asserções básicas no caso de que o que escrevesse não fosse uma novela. Brown pretende dizer que temos de compreender que suas afirmações sobre a origem do cristianismo são verdadeiras.

--Quais são os principais erros de «O Código da Vinci»?

--Shea: Não só há erros desmedidos sobre os fatos, mas tamb&eactute;m mentiras descaradas, grandes e pequenas, sobre praticamente cada uma das mat&eactute;rias que Brown toca em questões de arte, história e teologia. Dá a entender que documentos falsos, que equipara a suas questionáveis fontes rejeitadas, correspondem com os fatos.

Afirma que Leonardo da Vinci não dá a Jesus um cálice em seu quadro de «A Última Ceia» para dizer indiretamente que Maria Madalena &eactute; o verdadeiro cálice que leva o «sangue de Jesus» --ou seja, seu filho--, apesar do fato de que há treze copos na pintura.

Fala acerca do significado de uma palavra aramaica no evangelho gnóstico de Felipe, esquecendo o fato que esse texto está escrito em copta.

Apresenta Maria Madalena como a vítima de uma campanha de difamação católica, sem deter-se a perguntar-se por que &eactute; uma santa católica.

Culpa o «Vaticano» de vários complôs e conspirações que supostamente aconteceram s&eactute;culos antes que o Vaticano existisse para poder conspirar.

E, supostamente, na maior mentira de todas, declara que todo o mundo antes do ano 325 pensava que Jesus não era mais que um «profeta mortal» at&eactute; que Constantino obrigou o Concílio de Nic&eactute;ia a declará-lo Deus «por uma diferença escassa de votos».

Ele não parou a perguntar-se por que, se Jesus foi só um «profeta mortal», inquietou-se em fundar uma Igreja, nem o que foi da Igreja durante os 300 primeiros anos do cristianismo se ningu&eactute;m cultuava Jesus como Deus.

--São um desafio para a Igreja estas inexatidões?

--Shea: Brown está tentando estabelecer um mito inventado, feminista e neopagão. O mito básico &eactute;: Jesus era feminista, partidário ac&eactute;rrimo do neopaganismo. Supostamente, a Igreja cobriu tudo isto com mentiras sobre sua divindade. O ponto de vista de Brown &eactute;: regressemos ao culto à deusa como pretendeu Jesus.

Esta afirmação ridícula e sem nenhum fundamento &eactute;, supostamente, completamente contrária aos atos de Jesus. Mas muitos em nossa cultura acreditam, pois são analfabetos historicamente. De maneira que os católicos devem começar a catequizar-se não só a si mesmos, mas a suas famílias, amigos e vizinhos. Do contrário, deixarão que este mito daninho continue existindo.

--As recentes respostas violentas dos muçulmanos contra as charges de Maom&eactute; parecem assinalar crescentes tensões entre a religião e a sociedade. O que acha sobre o fato de que o filme saia precisamente agora?

--Shea: Sem dúvidas, os promotores do filme tentarão definir os protestos católicos contra as distorções dos fatos por parte de «O Código da Vinci» como idênticas às ameaças dos islamitas radicais à liberdade de expressão.

Agora esta afirmação tem um problema: a Igreja não aprova a queima de edifícios ou as ameaças de morte contra o povo, inclusive quando mentem sobre Cristo. Nós simplesmente e educadamente pedimos que os criadores de «O Código da Vinci» não nos divulguem insultantes mentiras como se fossem fatos.

Os criadores da cultura no Ocidente desacreditam com mais facilidade a Igreja que o Islã radical, pois sabem perfeitamente que o Vaticano lança ameaças de morte.

--Por que as pessoas levam tão a s&eactute;rio as novelas de Dan Brown?

--Shea: «O Código da Vinci» não &eactute; mais que uma manifestação do que eu chamo de o último «autêntico» Jesus, cada geração tende a descobrir o último autêntico Jesus.

Há cem anos, Albert Schweitzer descobriu que o «autêntico» Jesus era um Evangelho Social Protestante. Nos explosivos anos vinte, as pessoas descobriram que Jesus era um rapaz de um pôster publicitário. Nos trinta, os nazistas descobriram um «autêntico» Jesus que era ariano, não judeu, enquanto que os comunistas descobriram um Jesus que foi o primeiro «marxista».

Nos sessenta, descobriu-se que o «autêntico» Jesus era um filho das flores, amante dos fungos alucinógenos, o qual explicava de forma estupenda todas as visões e milagres. Nos setenta, o «autêntico» Jesus era um «superstar» ao modo dos ditames da cultura do rock.

Nos anos oitenta, apareceu em cena para prometer saúde e prosperidade e curar a tua criança interior, ao modo de quando sofria crises existenciais --lutando com sua libido e corroído pela dúvida sobre si mesmo--, como se fosse uma criança ensimesmada da geração do «boom», em «A última tentação de Cristo».

Nos noventa, de repente se descobriu que era um entusiasta homossexual na obra blasfema «Corpus Christi».

Hoje, vivemos em uma cultura obcecada com a vida sexual dos ricos e famosos, que crê com facilidade em amplas teorias da conspiração, repleta de noções sobre paganismo e feminismo, e hostil às noções tradicionais tanto de razão como de autoridade.

Por uma incompreensível coincidência, Dan Brown descobriu um «autêntico» Jesus que reflete perfeitamente esta ampla cultura vaidosa. E quando as pessoas criam coisas baseadas nesta cultura mutável, especialmente coisas malignas, isto &eactute; daninho para sua f&eactute;.

Nosso livro está pensado precisamente para ajudar as pessoas a que deixem de levar tão a s&eactute;rio «O Código da Vinci». Felizmente, Dan Brown e companhia nos puseram as coisas fáceis neste sentido.

É muito fácil demonstrar que suas afirmações no livro são falsas. Por isso, a melhor cura contra «O Código da Vinci» &eactute;, afinal de contas, um vendaval curativo de risos bem informado.
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