quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Vocação: Vida entendida como Missão!

Não viemos ao mundo fazer turismo; pelo contrário, para todos nós existe um plano eterno do qual depende nossa fecundidade humana e felicidade eterna. Em palavras inspiradas, o Papa Francisco nos ensina: “É algo que eu não posso arrancar do meu ser, se não me quero destruir. Eu sou uma missão nesta terra, e para isto estou neste mundo. É preciso considerarmo-nos como que marcados a fogo por esta missão de iluminar, abençoar, vivificar, levantar, curar, libertar. Nisto se revela a enfermeira autêntica, o professor autêntico, o político autêntico, aqueles que decidiram, no mais íntimo do seu ser, estar com os outros e ser para os outros.Mas se uma pessoa coloca a tarefa de um lado e a vida privada do outro, tudo se torna cinzento e viverá continuamente à procura de reconhecimentos ou defendendo as suas próprias exigências. Deixará de ser povo” (EG 273).

A oferta da própria vida a qualquer vocação exigirá sempre a totalidade. Ninguém pode doar-se pela metade. Viver a vida como missão só será possível se sairmos de nós mesmos. Parece-me que também aqui somos chamados à conversão! Conversão, Vocação, Doação, Missão não podem viver separadas!

Em sua mensagem para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações deste ano de 2015, o Papa Francisco usou a categoria teológica do Êxodo para explicar nossa vocação comum. A vocação cristã, disse o Santo Padre, só pode nascer dentro duma experiência de missão. Ele ainda foi categórico ao afirmar que “Na raiz de cada vocação cristã, há este movimento fundamental da experiência de fé: crer significa deixar-se a si mesmo, sair da comodidade e rigidez do próprio eu para centrar a nossa vida em Jesus Cristo; abandonar como Abraão a própria terra pondo-se confiadamente a caminho, sabendo que Deus indicará a estrada para a nova terra. Esta «saída» não deve ser entendida como um desprezo da própria vida, do próprio sentir, da própria humanidade; pelo contrário, quem se põe a caminho no seguimento de Cristo encontra a vida em abundância, colocando tudo de si à disposição de Deus e do seu Reino”.

Quando um filho de Deus esquece que nasceu para vocação e missão, vê o sentido da própria vida se enfraquecer e adoecer. Haverão sempre dois modos de morrer: Um em si e um para outros por causa de Deus. Que escolheremos? Evangelizaremos se morremos do primeiro modo?

É preciso orar sempre pedindo a graça de entendermos a vida como vocação e missão. A comunhão com Deus e Seu Espírito nos colocarão no circuito santo de Sua Vontade! Rezar para que sejamos obedientes e fiéis à vontade de Deus: eis a estrada para a nossa santidade. Não foi fácil para Jesus. Não foi fácil para os discípulos. Não será fácil para nós! Todos os dias temos um ‘selfservice’ de opções para abandonarmos a Vontade de Deus. Porém, também Ele nos disse: “Eu estarei convosco todos os dias até o fim dos tempos” (Mt 28, 20). Escolher a Deus, dar a Ele prioridade, vencer o joio com o trigo, o mal com o bem, vivermos diariamente a morte de nosso homem velho, invocarmos constantemente o Espírito Santo para que forme em nós o homem novo, eis os nossos grandes, urgentes e atuais desafios!

Ajude-nos a Mãe de Deus que assumiu sua vida como vocação e missão!

Padre Eduardo (Pe. Dudu)
Paróquia Nossa Senhora da Conceição, Rio Bonito-RJ
Co-postulador da Causa da Canonização da Beata Elena Guerra
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