segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A Sexualidade – forte expressão do amor de Deus


Refletimos em formações anteriores sobre o amor autêntico, cuja fonte é o Deus amor – Deus Trindade – fonte e vida de comunhão, e as três dimensões deste amor – Eros, Amizade e Ágape, que estão sempre interagindo na única realidade do AMOR.
O amor autêntico, numa humanidade marcada pela inclinação ao egoísmo, ao hedonismo e às satisfações desmedidas do ego, frutos do pecado original, precisa ser aprendido e alimentado na sua Fonte.
A vivência desse amor vai amadurecendo a pessoa e tornando-a capaz de doar-se inteiramente por amor e, assim, encontrar a verdadeira alegria, sendo também instrumento de paz nas relações familiares e sociais.
“Deus contemplou toda a sua obra e viu que tudo era muito bom!” Ao criar a diversidade, Deus cria para a relação, como é a sua essência de amor. Relacionar-se envolve todo o ser da pessoa, inclusive e, especialmente, sua sexualidade.
A sexualidade faz parte da identidade mais profunda do ser humano: “É um componente fundamental da personalidade, um modo de ser, de se manifestar, de se comunicar com os outros, de sentir, de expressar e de viver o amor humano”.
Essa é a concepção cristã da sexualidade. Assim, como modo de se relacionar e se abrir aos outros, a sexualidade tem como fim intrínseco o amor. Mais precisamente o amor como doação e acolhimento, como dar e receber. A sexualidade está na identidade da pessoa, mulher ou homem. Cada pessoa se relaciona com o mundo como mulher ou homem, conforme sua sexualidade.
Homem e mulher se complementam
Homem e mulher são diferentes e chamados à complementaridade. O casal, para ser um, como nos orienta a Palavra, não pode ser similar. Ao querer amar só o que é similar, manifesta-se o desejo de homogeneidade, ou seja, de querer prevalecer. Isto seria egocentrismo. Claro que não se excluem alguns aspectos que convergem entre si na convivência do casal e outros que serão construídos tendo sempre como alicerce o amor ágape.
Aceitar as diferenças é amor, e viver esta unidade na diversidade é obra da graça de Deus e da vontade humana por ela fortalecida. É o Espírito que faz a unidade entre os dois.
Numa visão cristã e natural, a similaridade impede a relação de amor, porque é gostar de si mesmo no outro, impedindo a fecundidade e a riqueza da diversidade.
“A sexualidade deve ser orientada, elevada e integrada pelo amor, que é o único a torná-la verdadeiramente humana”. (João Paulo II)
A busca exclusiva e excludente da similaridade expressa em si uma certa incapacidade de viver as diferenças e, com elas, situações de conflito inerentes a quaisquer relações maduras.
Sexualidade e Genitalidade
A genitalidade é concebida aqui como referência ao aparelho reprodutor (órgãos sexuais). Ela faz com que os animais e seres humanos se reproduzam.
Compreender a sexualidade como genitalidade é reduzir a pessoa humana a uma vivência meramente instintiva do prazer sexual, o que subestima sua capacidade e necessidade essencial de amor recíproco.
Atualmente, sensualismo e genitalismo são instrumentos da busca do prazer pelo prazer e sugere a redução da sexualidade humana à animalidade.
A busca do prazer pelo prazer reduz as relações à predominância do Eros, e se este for o único motivador do relacionamento, certamente, em pouco tempo se esvazia e, não evoluindo, a relação é frustrada, pois se torna individualista, dominadora, manipuladora e fechada em si.
Ao contrário, sendo destinado ao amor pleno, o ser humano precisa evoluir ao amor maduro e autêntico para que alcance sua realização e alegria autênticas. Para isso, é necessário que, desde muito cedo, a criança seja conduzida a este amor autêntico, primeiro, pelo exemplo dos pais, e depois, pelo exercício das virtudes no seio familiar. Assim, a sexualidade humana poderá ser construída em direção à busca da sua maturidade, favorecendo a construção de relações humanas saudáveis e felizes.
O desenvolvimento da sexualidade saudável, que pode ou não abarcar a genitalidade (no caso do matrimônio), supõe o autodomínio, a capacidade do dom de si, e um certo espírito de renúncia em favor do bem do outro:
 “Ou o homem comanda suas paixões e obtém a paz, ou se deixa subjugar por elas e se torna infeliz” (cf. CIC -2339). Assim, o domínio de si mesmo é um trabalho a longo prazo e não definitivamente adquirido (cf. CIC -2342). O ambiente familiar, onde o casal vive o dom de si e caminha nessa direção em relação à educação dos filhos, é o terreno fértil que dará frutos de alegria, caridade, solidariedade, justiça e paz, transbordando progressivamente para a sociedade.
 Portanto, o lar, é a primeira escola da vida cristã – lugar privilegiado do exercício das virtudes – onde se aprende a tolerância, o respeito às diferenças, a paciência, a alegria do trabalho, o amor fraterno, o perdão generoso e a oferta da própria vida no serviço aos mais pequenos, aos doentes, aos idosos e no serviço recíproco de todos os dias, partilhando os bens, alegrias e sofrimentos:
 O espaço da casa é espaço sagrado, onde ocorre a eucaristia doméstica da oferta da vida por amor: “Onde dois ou mais estão reunidos em Meu nome, Eu estou no meio deles”.
 É nesse contexto familiar que as crianças aprenderão a exercer sua sexualidade até à maturidade, tendo como referências fundamentais a mãe e o pai, que, em harmonia, buscam a unidade nesta complementariedade que enlaça as diferenças no dom mútuo de si.
 Os papéis sociais exercidos pelo homem e a mulher no contexto familiar e social são importantes e devem corresponder à missão de cada um, concebida pelo Pai em seu plano de amor e felicidade para a humanidade.
 Pretendendo favorecer a compreensão da realidade relacional entre homem e mulher na busca da complementariedade, trataremos na próxima edição das características mais gerais de cada um, que se definem a partir das influências hormonais, orgânicas, psicológicas, da história de vida individual, da leitura pessoal dessa história e do contexto sociocultural em que estão inseridos os indivíduos.

Laura Martins, Assistente Social,
Psicopedagoga e Missionária da Comunidade Shalom
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