quarta-feira, 19 de novembro de 2008

APÓS A MORTE

O QUE ACONTECE CONOSCO APÓS A MORTE?O que é a morte? O que ocorre com a pessoa após a morte? O que é juízo particular? Há céu ou inferno?O fenômeno da morte revela a cada um de nós a fragilidade da vida humana, suas limitações, brevidade, mistério e, ao mesmo tempo, nos leva a questionar sobre o sentido da vida e também a especular sobre o pós-morte. O ser humano, em qualquer época ou cultura, sempre se interrogou sobre essas questões procurando encontrar respostas às suas angústias.Na perspectiva católica, apoiada na Bíblia e na Tradição, a morte é uma partida rumo a Deus e nela a alma se separa do corpo. Portanto, a alma por ser espiritual é imortal e o corpo por ser material não.O que vai ao encontro de Deus é a nossa alma ou eu pessoal, na esperança da ressurreição final e do juízo final. Não deixamos de ser quem somos, não perdemos nossa identidade. Além disso, a morte corporal pode ser entendida, num certo sentido, como algo natural, ou seja, o fim comum da vida terrestre. Porém, a morte entrou no mundo devido ao pecado, logo, a morte é conseqüência do pecado. Ou seja, embora o ser humano possuísse uma natureza mortal, Deus o destinava a não morrer e assim, vê-se que a morte foi contrária ao desígnio de Deus.A realidade da morte nos lembra que o tempo que Deus nos deu para realizarmos nossa missão é limitado. E mais do que isto, nos leva a pensar sobre o tipo de vida que estamos realizando, pois, a vida presente com nossas escolhas, determina para sempre o nosso fim último, pois coloca o homem num estado definitivo. A morte põe término ao tempo da misericórdia e nos abre para o juízo de Deus. Não há reencarnação, não voltaremos mais em outras vidas terrestres, pois os homens devem morrer uma só vez (Cf. Hb 9,27).Logo após a morte vem o juízo particular, no qual a pessoa recebe uma iluminação e devido a isto consegue ver realmente como foi sua vida terrestre e sua posição em relação a Deus. Ou seja, a pessoa se vê tal como ela é e isto gera uma sentença tanto da parte de Deus como dela, que já é executada. Enfim, cada um irá receber algo de Cristo conforme sua fé, obras e escolhas. Revelado o amor a Deus isto conduz a alma para a bem-aventurança celeste, enquanto, o não ao Criador conduz a criatura para o afastamento eterno de Deus.Assim, o céu é a realização plena da criatura humana, é a visão face-a-face de Deus. É participar da vida da Trindade Santa para sempre. O purgatório é o estado das almas que morrem no amor de Deus, portanto estão salvas, mas precisam se purificar, pois são portadoras, ainda, de resquícios do pecado. Enquanto o inferno é justamente o oposto. É morrer fora do amor de Deus e assim existir para sempre longe dele, condenado ao sofrimento e ao vazio. É a frustração plena do ser humano. Tanto o céu, o purgatório como o inferno são estados de espírito e não são lugares físicos ou espaciais.Enfim, vemos, como diria santo Tomás, que Deus é Misericórdia, mas, após a morte a realidade é diferente, pois a possibilidade do arrependimento não faz mais parte da nossa dimensão. Portanto, não nos deixemos seduzir por bens ilusórios e passageiros e nem tenhamos medo da morte, mas digamos junto com Santo Inácio de Antioquia: “Meu desejo terrestre foi crucificado; há em mim uma água viva que murmura e que diz dentro de mim: Vem para o Pai”.PROF. JOEL GRACIOSO
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