Não estava no meu intuito compartilhar esse texto, mas deixá-lo nos rascunhos. Mas o dia de alguns santos me inquietam, principalmente os santos Carmelitas e Passionistas. Relendo alguns trechos em algumas obras de espiritualidade nos últimos dias para escrever sobre Santa Teresa, já que estava se aproximando o dia da sua memória, hoje me veio a mente um dos seus tantos pensamentos que sempre toca o meu coração, a sua célebre frase: “É justo que muito custe aquilo que muito vale” , Santa Teresa como que sintetiza o coração de sua doutrina espiritual: o caminho da união com Deus exige esforço, perseverança e amor firme nas provações. Não se trata de uma exaltação do sofrimento em si, mas da consciência de que os bens espirituais mais preciosos - a graça, a santidade, a amizade divina - não se alcançam sem determinação e entrega total. Para doutora, a vida interior é uma jornada de amor, e amar verdadeiramente custa, porque supõe sair de si mesmo e vencer o apego às próprias vontades. Em...
Ontem eu e um xará, outro Diego, estávamos sentados conversando. Ficamos no seminário neste final de semana, sem pastoral, e entre uma palavra e outra caiu aquele silêncio típico de fim de domingo. Senti-me quase forçado a dizer que estava entediado, como se o domingo exigisse alguma coisa de nós. Antes de falar, porém, parei por dentro: será que estou mesmo entediado, ou simplesmente não estou sabendo estar aqui? A frase brotou: “Diego, eu ia dizer que estava entediado… mas percebi que o tédio é não saber aproveitar o momento.” Ele ficou pensando, com aquele aceno de quem entende sem pressa. Comecei a refazer algumas leituras e pesquisas sobre o assunto. A palavra “tédio” vem do latim taedium : aborrecimento, desgosto, enfado. Mas quando mergulhamos na tradição cristã, vemos que existe algo mais profundo escondido atrás dessa sensação: a acédia . Nos antigos Padres, acédia não era só mau humor ou monotonia — era uma provação espiritual real, uma tentação que derruba o gosto pelas coi...
Vamos lá, resolvi juntar alguns esboços de pensamentos para o ano que estava iniciando, aliás já iniciou. Talvez o celular não ajude na formatação do texto, no entanto, isso é o de menos. O ano novo chega sempre silencioso, ainda que o mundo faça barulho. Fogos estouram, promessas se acumulam, agendas se abrem. Mas, no fundo, o que realmente muda não é o calendário - é o coração que decide como atravessar o tempo que lhe é dado. A tradição cristã nunca viu o tempo como algo neutro. Para nós, o tempo é kairós, ocasião de Deus. Cada ano que se inicia é mais um capítulo da história da salvação vivido no concreto da nossa vida. Não é apenas um ciclo que recomeça; é uma graça que se oferece de novo, por isso, o ano novo não apaga o passado Existe uma tentação moderna muito forte: achar que o ano novo “zera tudo”. Não zera. E ainda bem. A vida espiritual não se constrói com amnésia, mas com memória agradecida. O passado - com suas quedas e fidelidades - é matéria-prima da graça. Como en...
Comentários