sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Santidade: uma estreita união com Deus

Seres humanos chegam a ser santos travando batalha consigo, com a carne e com o demônio
A santidade é basicamente a estreita união do homem com Deus; desse contacto resulta a perfeição moral. Deus é santo por natureza; os homens são santos na medida em que se aproximam d’Ele. No céu todos os bem-aventurados estão intimamente unidos ao Senhor pela visão imediata d’Ele. Isso é chamado de “visão beatífica”. Todos os que estão no céu atingiram a santidade perfeita.
Um santo canonizado foi alguém que na terra praticou a bondade heróica em todas as suas ações. Note: “em todas as suas ações”. Um homem ou uma mulher não é canonizado por ter uma só virtude. Não é suficiente que ele não tenha faltas salientes. Mesmo uma pequena fraqueza é uma grande falta num santo. Um santo tem um controle perfeito de todas as virtudes. Ninguém tem de desculpá-lo dizendo que ele é um homem bom de coração, mas um homem difícil de suportar; ou que ele tem um senso inflamado da justiça social, mas não é muito de oração.
O santo não faz da sua vida um espetáculo. Começa pelas virtudes sólidas, comuns da vida cristã, e depois as desenvolve até um grau extraordinário. São Vicente de Paulo costumava dizer que “um cristão não deveria fazer coisas extraordinárias, mas sim fazer extraordinariamente bem as coisas ordinárias”.
Seres humanos chegam a ser santos travando batalha consigo, com a carne e com o demônio. Partem do triste estado da nossa fraqueza comum, porém, antes de morrerem, atingem a santidade pela graça de Deus. E isso é possível a todos os batizados.
Os santos não foram pessoas raras e especiais que viveram numa só terra ou numa só época particular. Pertencem a todas as épocas e a todas as nacionalidades. São Policarpo, natural da Ásia Menor, viveu no século II; já São Pio X foi um italiano e um Papa do século XX. Os quatro homens que são chamados os Padres do Ocidente, isto é, Santo Agostinho, São Jerônimo, Santo Ambrósio e São Gregório Magno, eram respectivamente da África do Norte, da Iugoslávia e da Itália, e viveram entre os séculos quarto e sexto. Santa Francisca Cabrini era uma freira italiana que fundou hospitais em Nova York e em Chicago, nos Estados Unidos.
Houve mártires em Nagassaki, no Japão, e padres na Rússia, que foram declarados santos pela Igreja Católica. O que é talvez mais surpreendente é a enorme variedade de personalidades entre esses santos. Eram reis e rainhas, sapateiros e agricultores, sacerdotes, bispos, freiras, soldados, juristas, professores, donas-de-casa e mulheres profissionais que se elevaram às alturas da santidade. Nenhuma classe tem o monopólio da santidade, embora talvez bispos e religiosos, por força da sua profissão, tenham chegado mais freqüentemente à santidade.
Então, quando a Igreja Católica pronuncia de modo solene que alguém é um santo, não se apóia apenas na prudência humana, mas pela evidência disso na forma de milagres operados por Deus pela intercessão deste [santo]. Esse é o selo da aprovação divina sobre a santidade da pessoa investigada.
Cristo disse à sua Igreja: “Eis que eu estou convosco todos os dias até à consumação dos séculos” (Mt 28, 20). E prometeu à Igreja no Cenáculo, na Última Ceia: “Quando vier o Espírito Santo, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade” (Jo 16,13). Essas são promessas especiais de Cristo para auxílio divino para a Instituição criada por Ele. Por causa dessas promessas, ao canonizar um santo, a Igreja Católica é infalível; isto é, não pode cometer erro – não pode ser transviada por inteiro. Jesus disse a Pedro: “Tudo o que ligares na terra será ligado no céu” (Mt 16, 18).
Felipe Aquino
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